20.8.16

Coisas do Mundo: Centro Geodésico da América do Sul

Quem chega a Cuiabá logo nota uma inclinação a uma certa afirmação (talvez orgulho fosse uma palavra forte demais) em se assumir como sul-americano, o que é raro em outras capitais brasileiras, mesmo as situadas em estados fronteiriços como Porto Alegre ou Macapá. Basta dizer que aqui há um shopping center denominado Três Américas e uma rede de comunicação batizada como Centro América. Mas eu demorei um pouco a entender isso, mesmo vendo pelas ruas do centro da cidade placas como esta indicando o Centro Geodésico da América do Sul.




Agora, você imaginaria, vendo esta placa, que estaria a poucos metros de um obelisco de 20m de altura?

Olhe esta outra imagem antes de responder (risos)

Pois é, você está andando pela avenida Barão de Melgaço e de repente...

... não mais que de repente...

(obrigado Vinicius de Moraes)

... se depara com este obelisco! Vraaaa!



O obelisco assinala o ponto onde, em 1909, o então major Cândido Mariano da Silva Rondon determinou o Centro Geodésico da América do Sul - ou seja, o ponto que fica equidistante tanto do Oceano Atlântico quanto do Pacífico -, nas coordenadas 15°35'56",80 de latitude sul e 56°06'05",55 de longitude oeste. 

Hoje esse ponto é conhecido como praça Pascoal Moreira Cabral,  mesmo nome do palácio que também se vê na foto acima (um prédio côncavo), sede da Câmara Municipal de Cuiabá. Moreira Cabral era um bandeirante paulista que em 8 de abril de 1719 fundou Cuiabá. Mas em 1909 o local ainda se chamava Campo d'Ourique, um centro de cavalhadas e touradas, e antigo local de castigo público de escravos. 

O cálculo de Rondon foi por algum tempo objeto de contestação, por dois principais motivos. O primeiro era a alegação de que seus cálculos estariam defasados hoje, porém, como em todos os casos onde precisou instalar marcos (e ele o fez por toda a fronteira Oeste do Brasil), Rondon partiu da posição dos astros celestes, que é invariável (tanto que é a base do atual uso de GPS). Os cálculos de Rondon foram confirmados em 1975 por estudiosos do Exército Brasileiro. O segundo motivo é a existência, na Chapada dos Guimarães, próxima à capital, do Mirante do Centro Geodésico da América do Sul, que nada mais seria um local de onde se veria (ou seja, se miraria) o verdadeiro Centro Geodésico, localizado em Cuiabá. 

Contestações à parte, ainda em 1909 teria sido erigido pelo artesão Júlio Caetano este marco com as coordenadas do local.








Não há como fotografar o marco de frente, devido à existência do obelisco - posterior à passagem de Rondon, ao contrário do que dá a entender a placa existente próxima ao monumento. Mas enfim, se você olhar o obelisco de frente, o marco estará inteiramente encoberto por ele.


  • Uma curiosidade: no chão da praça, há círculos representando capitais de países sul-americanos (indicando sua distância em relação a Cuiabá) e de estados brasileiros (não todos, mesmo considerando que sendo o monumento antigo, não incluiria Palmas, por exemplo; também não há Aracaju ou Maceió). Das cidades brasileiras incluídas, apenas Brasília tem sua distância referida. Outra curiosidade é que algumas capitais têm seu círculo ligado à base do monumento por uma reta, e outros não, sem que eu tenha conseguido atinar o porquê disto. O único critério seguido parece ter sido ligar todas as capitais de outros países, porém em relação às dos estados brasileiros o critério para ligar algumas e não outras não ficou claro para mim. 



Círculo indicando Porto Alegre, ligado á base




Estive fotografando no local na quinta, 18, e na sexta, 19 (porque na quinta as pilhas da Nikon L330 descarregaram logo - risos. Esse é o maior senão deste equipamento). Todas as fotos incluídas no post são da sexta, publicadas sem edição.


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