27.2.17

Natalina, 85 anos

Uma das homenageadas do projeto As Tias do Marabaixo, Natalina Silva Costa nasceu em Macapá há exatos 85 anos, em 27 de fevereiro de 1932. À época, sua família residia na área central da cidade. Na década seguinte, o governo do recém-criado Território Federal do Amapá desapropriou as casas das famílias negras que viviam na orla central da cidade, o que levou os moradores da área a se mudarem para dois bairros novos, o Laguinho (para onde foi, por exemplo, Mestre Julião Ramos, pai de Tia Biló) e a Favela, que foi a opção de Dona Gertrudes Saturnino, mãe de dona Natalina. 

Dona Gertrudes foi a pioneira do Marabaixo na Favela, realizando as festas do Ciclo do Marabaixo em sua casa à av. Presidente Vargas até a década de 1970, quando faleceu. Desde então, dona Natalina e sua família vêm realizando as festas do Ciclo em sua casa, à av. Duque de Caxias. 

Natalina já foi homenageada por vários compositores do Amapá em suas canções. Uma delas, "Mão de Couro", de Val Milhomem e Joãozinho Gomes, é cantada em meu curta Natalina pelo grupo Berço do Marabaixo, formado por seus familiares. Na abertura do filme, a própria homenageada canta um ladrão de Marabaixo de autoria de sua mãe, Gertrudes Saturnino. 

Para homenagear Natalina neste grande dia, publico aqui as cinco fotos da exposição As Tias do Marabaixo, feitas em 2014, em que ela aparece.










Natalina e sua irmã Tia Zezé, outra das Tias do Marabaixo,
acompanham a reza da ladainha durante uma festa do Ciclo do Marabaixo

26.2.17

Tia Zefa, 101 anos

Hoje é um dia muito especial: a data em que Tia Zefa completa 101 anos! Uma das homenageadas do projeto As Tias do Marabaixo, nasceu em Macapá em 26 de fevereiro de 1916, sendo batizada como Josefa Lina da Silva. Passou a infância no Quilombo do Curiaú (onde teve Tia Chiquinha como irmã de criação); após o casamento, foi morar inicialmente nas proximidades da orla central do Rio Amazonas, de onde as famílias negras tiveram de sair por ordens do governo do Território Federal do Amapá na década de 1940. Desde então, Tia Zefa foi com sua família para o bairro do Laguinho, onde reside até hoje.

Ao longo desse século, Tia Zefa teve atuação destacada como ladronista (ou seja, autora de ladrões de Marabaixo) e cantadeira (intérprete de ladrões de Marabaixo - "ladrão" é como se denomina uma composição de Marabaixo). Em vídeo que gravei no ano passado, Tia Biló interpreta um ladrão clássico composto por Tia Zefa: "Mamãe, Minha Rica Mãe" (veja aqui). 

Tia Zefa também se destaca na área do Batuque - inclusive no curta em que eu a homenageio, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014, ela canta várias bandaias de Batuque ao lado do Grupo de Batuque Filhos do Criaú (assim como "ladrão" é uma composição de Marabaixo, "bandaia" é uma composição de Batuque). 

O centenário de Tia Zefa foi motivo de grande festa no ano passado; a comemoração iniciou em missa oficiada na Igreja de São Benedito, no Laguinho, e entrou pela noite numa festa realizada num salão de eventos de Macapá, reunindo familiares e amigos de Tia Zefa, contando é claro com muito Batuque e Marabaixo.

Para homenagear Tia Zefa neste grande dia, publico aqui as cinco fotos da exposição As Tias do Marabaixo, feitas em 2014, em que ela aparece.



Tia Zefa (em pé) abençoa Tia Biló (sentada), sua afilhada



Tia Zefa canta acompanhada de Nena Silva,
destacado músico do Amapá e neto de Tia Chiquinha


Esta foto de Tia Zefa tem me rendido muitos elogios e chegou a ser 
lançada em cartão-postal e camiseta, em tiragens já esgotadas



Tia Zefa canta ladrões com Elísia Congó;
em segundo plano vemos Tia Chiquinha (de chapéu)


23.2.17

Longa vida à fotografia


Em outubro do ano passado, ao participar de evento no Rio de Janeiro, o fotógrafo Sebastião Salgado fez uma previsão sombria: a fotografia não iria durar mais que 20 ou 30 anos. Ela iria perder o lugar, no entender do veterano profissional, para a imagem, que é o que você vê no Instagram ou no celular. A fotografia, para Salgado, "é um objeto materializado que você imprime, você tem, você olha".


Na ocasião, cheguei a escrever um artigo aqui no blog a respeito desse tema polêmico, intitulado A fotografia irá se acabar? - nele, estão linkados reportagens publicadas na época e até um vídeo com a fala do próprio Salgado à imprensa no Rio.

Eis que pouco mais de três meses depois, Salgado volta ao assunto, anunciando ter mudado de opinião. Isto aconteceu durante entrevista a Jorge Silva, concedida no dia 8 em Bangkok (Tailândia), onde o fotógrafo se encontrava para a abertura de sua exposição O Mundo Através dos Seus Olhos, e publicada no dia 10 no site da edição americana do noticiário da agência inglesa Reuters. Disse Salgado:

- Não acho que (a fotografia) esteja em perigo, pensei assim em algum momento, mas estava errado e retiro o que disse. Agora mais do que nunca, tem um longo futuro pela frente.

Curiosamente, na sequência do texto (leia a íntegra, em inglês, neste link), Salgado embasa sua mudança de pensamento no trabalho dos fotógrafos documentais, que, ao criar "imagens memoráveis ​​que irão sobreviver", se diferenciam das imagens-de-smartphone. Sobre estas, na prática Sebastião Salgado mantém sua opinião, já exposta em outubro: "O que as pessoas fazem com seus telefones não é fotografia, são imagens. A fotografia é uma coisa tangível, você a pega, você a olha, é algo parecido com a memória".

O texto de Silva finaliza com uma sucessão de dados que não amparam a opinião do entrevistado. Vou citar aqui os principais:

  • Estima-se que em 2017 serão produzidas no mundo mais de 1 trilhão de fotos.

  • Destas, 85% ao menos deverão ser feitas nos mais de 2 bilhões de smartphones existentes no mundo.

  • Outros 10% das fotos serão feitas em câmeras digitais (como a que o próprio Salgado usa desde 2008, combinando desde então a captação digital com a impressão tradicional em papel fotográfico).

Em suma: me parece um caminho sem volta. Quer você chame de fotografia, quer você chame de imagem, nossas lembranças serão cada vez mais registradas em meios digitais, o que não impede que venham a ser impressas em papel, que pode ser guardado. Mas imaginar que a fotografia analógica possa voltar a ser dominante me parece bem utópico.


22.2.17

Estreando no Vimeo

Vê se Vê from Fabio Gomes on Vimeo.


Ontem pela primeira vez postei um vídeo público no Vimeo, então a rigor é minha estreia no serviço de vídeos.

Criei minha conta por lá em 2010, mais pra ver um clipe então "secreto", e meu perfil ficou parado até uns dois anos atrás, quando lancei os curtas d'As Tias do Marabaixo. O Vimeo acaba sendo a opção ideal para atender os requisitos de festivais que aceitam inscrição online, mas pedem que o filme esteja protegido por senha (o que não é possível no YouTube). 

Inclusive este é o caso do vídeo que foi tornado público ontem, uma versão 'nanometragem' do vídeo em que a Poeta Amadio declama o poema "Vê se Vê"- a diferença com o vídeo original, postado aqui em 12 de outubro do ano passado, é que no Vimeo aparecem os créditos ao final. Este nanometragem foi editado em janeiro, portanto é o primeiro material deste ano publicado aqui no blog - já tava na hora né! 




20.2.17

A Semana nº 26

Entrou no ar hoje, 20. meu segundo texto de janeiro na coluna do Digestivo Cultural (como não postei nada por lá em janeiro, fiz dois artigos este mês para compensar). O tema? As novas declarações do fotógrafo Sebastião Salgado sobre o futuro da nossa profissão. O título? Longa vida à fotografia. Até agora, 175 pessoas já leram :) 

18.2.17

Dois anos sem Tia Chiquinha

A notícia que ninguém esperava ouvir tornou ainda mais cinzenta aquela tarde de Quarta-Feira de Cinzas. Naquele dia 18 de fevereiro de 2015, Tia Chiquinha partia para o Céu. 

Nascida Francisca Ramos dos Santos em 26 de junho de 1920, no Quilombo do Curiaú, ao norte de Macapá, Tia Chiquinha foi um dos maiores nomes do Batuque e do Marabaixo, manifestações amapaenses de matriz africana. Viveu no Curiaú, tendo como irmã de criação Tia Zefa, até seu casamento com Maximino Machado dos Santos, o "Bolão", quando passou a morar no bairro do Laguinho, tendo retornado ao Curiaú após enviuvar. 

Eu já conhecia Tia Chiquinha por referências em canções e entrevistas de Patrícia Bastos, desde o começo do meu trabalho com o blog Som do Norte. Foi também Patrícia quem me apresentou a Tia Chiquinha, em 7 de maio de 2013, em frente à sede do Grupo do Pavão, no Laguinho; era a noite da Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo. Depois disso, estive algumas vezes em sua casa, de modo que quando resolvi dar início ao projeto As Tias do Marabaixo eu tinha certeza de que ela deveria ser a primeira entrevistada. 

E assim, estive com a equipe da Graphite Comunicação no Curiaú gravando um longo depoimento e dois números musicais com Tia Chiquinha na manhã de 8 de maio de 2014, dando início à filmagem do meu documentário (ainda inédito). Curiosamente, foi sua casa o primeiro lugar onde fui após a gravação do último depoimento registrado, o de Tia Biló, no dia 27 de junho. Nessa data, comemorou-se os 94 anos de Tia Chiquinha, completados na véspera. 

Para homenageá-la, publico aqui as cinco fotos da exposição As Tias do Marabaixo, feitas em 2014, em que ela aparece. 




Com Laís Maciel, do grupo Raízes da Favela




Tia Chiquinha, ao fundo, aprecia o canto de
Tia Zefa e Elísia Congó (com os microfones)



Tia Chiquinha canta com o grupo Raízes do Bolão, 
formado por seus familiares, na festa dos seus 94 anos


  • Veja também o curta-metragem Tia Chiquinha, lançado em 8 de março de 2015.


17.2.17

Modelo da Semana: Thaynara Hage



Nossa Modelo da Semana é a amapaense Thaynara Hage, que vemos aqui em foto de novembro de 2014, feita no Centro de Cultura Negra do Amapá (Macapá), durante mais a edição do Encontro dos Tambores daquele ano. 



14.2.17

Ainda a permanência das fotos (em papel ou digitais)

Em 13 de outubro do ano passado, publiquei aqui no blog um artigo com o título A permanência da foto em papel, comentando a questão da durabilidade das fotos impressas (que tende a ser grande) versus o péssimo hábito que a humanidade alimentou por décadas de guardá-las em álbuns cheios de cola (o que tem se revelado recentemente um grande erro). Duas semanas depois, voltei ao assunto, dessa feita em relação aos arquivos digitais, no item "A permanência das fotos digitais", dentro do artigo Suitando em dobro. E por que estou falando disso novamente, passados cinco meses?

Simplesmente porque, em artigo publicado ontem no site BBC News, o americano Vint Cerf, um dos pais da internet, declarou ao correspondente da BBC Pallab Ghosh que teme uma Idade das Trevas Digital. Com isto, Cerf queria traduzir seu temor de que os softwares e hardwares que usamos hoje progressivamente deixem de funcionar e/ou conversar entre si, tornando portanto indisponíveis nossos mais importantes documentos e fotos. Leia o artigo de Ghosh (em inglês) no site da BBC - ou um resumo em português, postado também ontem por Lília Aguilhar no blog Link, do Estadão.

Cerf não chega a sugerir, no texto publicado pela BBC, que as pessoas imprimam suas fotos, esta sugestão vem no texto do Link, tanto no título ("Segundo o 'pai da internet'; é melhor você começar a imprimir suas fotos favoritas") quanto no encerramento da matéria:
Enquanto essa questão não é resolvida, pode ser melhor você começar a imprimir suas fotos e arquivos mais importantes.
Já a BBC destaca a questão do possível apagão digital previsto por Cerf, que chegou a dizer a Ghosh:
"O que pode acontecer com o tempo é que, mesmo que acumulemos vastos arquivos de conteúdo digital, não saberemos do que se trata".
Isto, segundo Cerf, poderia fazer com que no futuro não seja possível acessar nenhum registro do século 21, o que caracterizaria a tal Idade das Trevas Digital. E qual a solução que o cientista propõe?

A criação de um museu digital onde seria possível acessar a qualquer tempo as especificações de cada software e hardware já criados e os que venham a surgir, para que sempre seja possível abrir e ler qualquer arquivo existente, qualquer que seja seu formato e em que aparelho esteja. Lindo, né? Nossa, maravilhoso!

Porém devo dizer que tal projeto já chega com um certo atraso. Há algum tempo, por exemplo, não consegui abrir arquivos .mht que criei por volta de 2003 ou '04. O .mht era um arquivo só existente no sistema operacional Windows, que tinha o objetivo de salvar todos os elementos de uma página HMTL em um arquivo só - se salvasse em .htm, você não teria incluídas as fotos da página, por exemplo. Encontrei esses arquivos num antigo CD-R uns dez anos depois de os criar e já não consegui lê-los com a versão então existente do Windows (talvez a 8 ou 8.1)... porque a empresa "descontinuou" o suporte ao formato que ela mesma inventara!

O que mais me preocupa na solução proposta por Cerf é a localização que ele sugere para o tal museu digital - a nuvem. Ora, eu imaginava que, mais que qualquer um de nós, um dos pais da internet tivesse consciência de que dizer "arquivos na nuvem" é apenas uma forma de expressão. Se você não salva seus arquivos localmente (em seu HD, num CD, DVD, pen drive que seja) e confia apenas em um serviço "na nuvem", saiba que seus arquivos estarão em algum mainframe físico em algum lugar do mundo - porque não existe outra maneira de isso ser feito.

Quando você posta uma foto no Facebook ou no Instagram, uma cópia dela é armazenada nos servidores dessas empresas sabe-se lá onde para que você ou quem quer que você permita possam olhá-la a hora que quiserem. Ou às vezes gente que você não permitiu pode ver também - como aconteceu em agosto de 2014, quando o hacker Ryan Collins violou o esquema de segurança do iCloud, da Apple, e vazou centenas de fotos de celebridades como Jennifer Lawrence, Scarlett Johansson e Selena Gomez. Seis meses antes, a Apple fôra alertada pelo especialista em segurança Ibrahim Balic do perigo de algo assim acontecer e minimizou o risco, não tomando providência alguma. Foi então relativamente fácil para Collins, usando técnicas de phising, obter os dados de que necessitava para invadir as contas. Levado a julgamento em outubro do ano passado, foi condenado a 18 meses de prisão.

Bueno, e qual a conclusão disso tudo?

  • Eu pessoalmente acho bastante improvável um quadro tão tenebroso como o que Vint Cerf pinta, de uma Idade das Trevas Digital. Para ela acontecer da forma como ele narra, seria necessário que todos os sistemas de software e hardware parassem de funcionar simultaneamente, ou em intervalos muito curtos. Se por um lado é fato que programas e aparelhos não tão antigos assim já estão fora do nosso alcance, por outro lado há muitas empresas investindo na escalabilidade desse ferramental já existente. 

  • Imprimir fotos e arquivos seria uma solução? Em parte. Além, claro, de um possível aumento absurdo no consumo de papel (e a correspondente morte de incontáveis árvores, gerando efeitos ambientais imprevisíveis), é preciso levar em conta de que a impressão funciona bem para fotos e textos, e não tão bem para outros tipos de arquivos. Por via das dúvidas, talvez seja interessante fazer a chamada redundância de arquivos (ou seja, salvar os mais importantes em todas as mídias possíveis). É o que venho fazendo já há algum tempo. Na maioria das vezes vem dando certo. 





13.2.17

Belezas Culturais: Poeta Amadio (2)



Hoje é dia de festa para ela, a Poeta Amadio! Sim, hoje é o aniversário desta talentosa artista rondoniense já foi nossa Beleza Cultural em 12 de agosto do ano passado (confira aqui).

Fiz esta foto em 13 de outubro de 2013 em São Paulo, quando ambos visitamos a exposição itinerante A Terra Vista do Céu, com imagens do fotógrafo e ativista ambiental francês Yann Arthus-Bertrand. A mostra estava disposta em 130 painéis no parque atrás do MASP (no canto direito da foto acima, é possível ver as barraquinhas da Feira de Antiguidades do MASP, que ocupa o vão livre abaixo do prédio do museu).


A Semana nº 25





  • Já no sábado, 11, tirei a poeira do blog Cinema Independente na Estrada, que mantenho também dentro do Digestivo, publicando um texto inédito por lá pela primeira vez depois de cinco (!) meses: O novo sempre vem

11.2.17

Tatuagens

As fotos de hoje foram feitas em 30 de maio de 2016 em São Luís. Naquela semana, hospedou-se no mesmo hostel onde eu estava a linda carioca Luana Behring. Suas tatuagens representando a Medusa (perna direita) e uma raposa (perna esquerda) logo me chamaram a atenção, me impressionando tanto a ponto de eu criar coragem para lhe pedir que me deixasse fotografá-las e posteriormente publicá-las aqui no blog.



Acima vemos o conjunto de frente, e abaixo cada um dos desenhos em close para melhor visualização dos detalhes. 







10.2.17

Tia Biló, 92 anos

Hoje, 10 de fevereiro, é uma data muito especial. Há 92 anos, nascia Benedita Guilherma Ramos, mais conhecida como Tia Biló. Filha de Mestre Julião Ramos, Tia Biló viveu com a família na área ocupada hoje pela Praça Isaac Zagury até meados dos anos 1940, quando o governo do recém-criado Território Federal do Amapá desapropriou as casas das famílias negras que viviam na orla central do Rio Amazonas em Macapá e ofereceu novas moradias em outros pontos da cidade. Tia Biló mudou-se então com sua família para o novo bairro do Laguinho. Seu pai, Mestre Julião Ramos, foi o pioneiro do Marabaixo no Laguinho; após seu falecimento, em 1958, Tia Biló tornou-se a anfitriã das festas do Ciclo do Marabaixo realizadas na casa da família, na rua Eliezer Levy.

Para homenagear Tia Biló, publico aqui as cinco fotos da exposição As Tias do Marabaixo, feitas em 2014, em que ela aparece.


 Tia Biló tomando a bênção de Tia Zefa, sua madrinha



 Ao fundo, na parede, banner em homenagem
a Mestre Julião Ramos, pai de Tia Biló






  • Veja também meu curta Tia Biló, que em novembro abriu a Mostra Cine Redemoinho, em Angra dos Reis (RJ)

9.2.17

O dilema de publicar ou não uma foto

Em 17 de novembro de 2015, fiz um passeio turístico pelo Rio Negro, partindo de Manaus, passando pelo Encontro das Águas e aportando em uma ilha onde há uma aldeia de índios Tukano Dessana - na foto que ilustra esse post, vemos uma indígena desse povo. Esta foto até hoje se encontrava inédita, bem como a maior parte das imagens que fiz nesse passeio.

Talvez você se espante ao saber que tenho fotos feitas há quase 15 meses que ainda estão inéditas. Tenho sim, assim como fotos mais recentes e até mais antigas. E as razões são várias.

Primeiramente, quando falo em "uma foto", é mais por força de expressão. Geralmente quando se faz um passeio como o mencionado, o normal é fazer centenas de fotos - um pouco porque nunca se sabe quando poderemos voltar lá novamente, outro tanto porque não temos como saber se as fotos estão realmente saindo boas (claro que ao olhar pelo visor da própria câmera todas estariam show de bola - risos). Aí, findo o passeio e descarregado o cartão de memória no notebook e/ou num HD externo, fazemos uma edição, escolhendo as melhores e (quase sempre) apagando as que não ficaram boas. Passado esse pente fino, é comum então se escolher alguma(s) foto(s) desse lote para publicar no blog e redes sociais. 

Dois motivos, em especial, contribuem para que sejamos tão seletivos. Já fui de ir a um show, fazer 500 fotos, e publicar no Facebook todas as 300 e poucas que ficaram boas. Hoje penso que isso é além da medida, principalmente porque boa parte das imagens são muito parecidas entre si. Quantas pessoas irão de fato parar para olhar tanta foto? Uma seleção de até 10 a 15 imagens, cobrindo os principais momentos, pode traduzir tão bem o evento quanto o conjunto todo - com a vantagem de ser bem mais prático para conferir. Então, beleza, evitar a redundância é o primeiro motivo. 

O outro motivo é a necessidade que os fotógrafos têm (ao menos os que, como eu, têm o costume de se inscrever regularmente em editais) de preservar o ineditismo de fotos que tenham o potencial de ganhar prêmios. É bastante comum que regulamentos de premiações, nacionais ou estrangeiras, exijam que as imagens a serem submetidas a sua comissão julgadora nunca tenham sido publicadas antes - o que vai desde nunca ter sido incluída num livro até chegar a nunca ter sido postada nem mesmo em redes sociais. Parece uma exigência meio chata, e talvez até seja (risos) mas dá pra entender quando uma instituição oferece premiações que podem chegar a dezenas de milhares de reais (ou dólares, ou euros); eles querem que o salão que estão organizando a partir das fotos selecionadas pelo júri constitua um conjunto impactante (e nada como o ineditismo para garantir impacto) e não apenas um apanhado do que todo mundo já viu no Instagram. Faz sentido. Pense bem, até mesmo o júri pode se influenciar se já conhecer as imagens. 

Tudo isso acaba gerando o dilema que menciono no título do artigo. Por um lado, é natural que eu queira manter algumas fotos supimpas inéditas almejando abiscoitar alguma premiação destas. Por outro lado, ao criar este blog e, mais recentemente, uma conta no Instagram, eu tacitamente assumi um compromisso com quem acessa esses espaços de postar sempre material interessante e de qualidade (embora não necessariamente sempre inédito). Afinal, nem só de prêmios vive o fotógrafo, mas de todo o olhar atento que é voltado para o que ele produz. 

:) 


6.2.17

A Semana nº 24

  • No domingo, 29 de janeiro, publiquei no blog Jornalismo Cultural minha newsletter Rapidola nº 1/17, que havia postado num serviço de news no dia 11. A ideia inicial de enviar a news para assinantes precisou ser abandonada.... por falta de assinantes (risos). Enfim.... Enquanto a ênfase aqui no A Semana é destacar fatos que tenham acontecido nos últimos dias relacionados à minha carreira de fotógrafo & cineasta, o Rapidola reúne links de tudo o que eu houver publicado na semana anterior à sua publicação. 

  • Já nos primeiros minutos da quarta, 1, este blog atingiu 40.000 acessos desde sua entrada no ar em 23 de junho do ano passado. Janeiro teve o registro de 7.291 acessos, um pouco menos que dezembro de 2016 (7.456, o mais alto até agora). Curiosamente, o post mais acessado do blog não é de fotos minhas - trata-se do Portfólio em Destaque com o trabalho de Fabiana Figueiredo (887 views). Meu post mais visto ainda é o de Raiara Neves como Modelo da Semana (547 views). O site que mais traz visitantes para este blog é o Facebook em versão móvel, seguido do Facebook para desktop/notebook. O browser mais usado para nos acessar é o Chrome (94%, humilhando a concorrência) e, surpreendemente ao menos para mim, o sistema operacional mais usado por quem me visita é o Macintosh. Quanto ao país de origem, os Estados Unidos seguem liderando, com uma quantidade de visitantes cinco vezes superior à do segundo país colocado....o Brasil. Os dois países respondem por praticamente 99% das visitas. Em seguida vêm Portugal, França e Eslováquia. 

  • E na tarde de ontem, domingo, 5, tive uma  bela surpresa quando Janaína Santana postou em seu Facebook esta minha foto editada por ela e com uma frase extraída do segundo ato da peça Romeu e Julieta. Estamos chiques.



4.2.17

Vídeo: Banzeiro do Brilho-de-Fogo - Hino de Macapá

Hoje, 4 de fevereiro, é o dia de aniversário da minha querida cidade de Macapá, fundada nesta data há 259 anos. 

Para homenagear esse dia, publico aqui o vídeo que filmei ao final do primeiro Cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo, realizado em 14 de dezembro de 2014. Em palco montado na Praça Floriano Peixoto, batuqueiros do Banzeiro, regidos por Paulo Bastos,  acompanham um conjunto de sopros e em seguida as cantoras Brenda Melo, Oneide Bastos e Patrícia Bastos na interpretação do "Hino de Macapá", de autoria de Teresinha Fernandes. 




2.2.17

Belezas Culturais: Estátua de Iemanjá



Fotografei esta estátua de Iemanjá durante uma Festa de Cosme e Damião no Terreiro da Casa Branca, como é conhecido o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, localizado no bairro da Federação, em Salvador. A festa aconteceu em 26 de setembro de 2015. 

Este terreiro é de Oxóssi e seu templo principal é de Xangô - o que se percebe facilmente, devido às várias representações de machado, já desde a grade que separa o terreiro da rua. A estátua de Iemanjá é uma das representações de outros orixás encontradas ao longo da área de 6.800 m² ocupada pelo terreiro, que foi o primeiro Monumento Negro a ser considerado Patrimônio Histórico do Brasil, desde 31 de maio de 1984.