30.11.16

Vídeo: Banzeiro do Brilho-de-Fogo - Roda de Marabaixo




Para encerrar o Mês da Consciência Negra, vamos assistir hoje este vídeo que gravei ao final do primeiro cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo pelas ruas de Macapá em 14 de dezembro de 2014. O vídeo, postado no YouTube dois dias depois, reúne três importantes nomes do Marabaixo.

Em palco armado na Praça Floriano Peixoto, vemos primeiramente Adelson Preto, do Curiaú, cantando "Vem pra Cá, Ioiô". Na sequência, Laura do Marabaixo, do Laguinho, interpreta "É de manhã, é de madrugada" (música que ouvimos com a avó de Laura, Tia Biló, neste curta). E pra encerrar, Jacundá, do distrito de Campina Grande, canta o clássico "Rosa Branca Açucena". Os três acompanhados pelas dezenas de tocadores de caixa de Marabaixo do Banzeiro, que estavam à frente do palco, regidos por Paulo Bastos. 

O Banzeiro do Brilho-de-Fogo é um projeto de valorização do Marabaixo, com atividades como oficinas de confecção de instrumentos e de percussão, seguidos da realização de cortejos em datas festivas da capital do Amapá, e participo duas vezes do Encontro dos Tambores, em 2014 e 2015. 


28.11.16

O atraso na reforma do Museu Joaquim Caetano

Em dezembro de 2015, recebi em Macapá uma amiga de Salvador que incluiu em seu roteiro de lugares a conhecer o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva. Falei pra ela que o museu merecia sim sua visita, porém se encontrava fechado desde o ano anterior. Pois bem, eis que outro dezembro se avizinha...e o museu continua fechado!

Embora eu passe frequentemente pelas imediações (o museu fica na Rua Mário Cruz, quase ao lado da Praça do Coco). só hoje fui ver esta placa com informações sobre sua reforma. O fato é que, estranhamente, a placa não está junto à entrada principal do museu, como comumente se faz, e sim na parede lateral, à Rua Binga Uchoa (antiga Independência).

Eis a placa, prometendo o final da obra para 17 de junho de 2016. Em reportagem de Fabiana Figueiredo publicada pelo G1 Amapá em maio, a Secretaria de Cultura do Amapá estimava a retomada da visitação para julho. 




Aqui uma visão mais abrangente da parede da Binga Uchoa, onde está a placa:




Aqui a entrada principal do museu, à Mário Cruz. Todas as fotos deste post foram feitas hoje pela manhã. 




O museu é um dos poucos prédios do século 18 preservados na capital do Amapá - os outros são a Igreja de São José, antiga catedral, de 1761, e a Fortaleza São José de Macapá, de 1782. A casa onde hoje está o museu já abrigou também a intendência (antiga prefeitura) de Macapá. Desde 1993, funciona nela o museu, cujo nome homenageia o médico e diplomata gaúcho Joaquim Caetano da Silva, cuja obra L’Oyapoc et L’Amazone, de 1861, foi utilizada pelo Barão do Rio Branco como argumento na questão territorial com a França.

Querendo incorporar parte do Amapá à Guiana Francesa, a França chegou a invadir o território brasileiro em 1895, avançando até o rio Araguari. O caso foi à arbitragem internacional na Suíça em 1900, ocasião em que Rio Branco apresentou trecho da obra de Joaquim Caetano comprovando que o limite histórico entre Brasil e Guiana Francesa sempre fôra o rio Oiapoque, e não o Araguari; o tribunal deu ganho de causa ao Brasil. 

O acervo do Museu Joaquim Caetano vai além do "histórico" presente em seu nome, abrangendo também os campos antropológico e arqueológico. Eu o considero um dos melhores museus que conheço no Brasil, e lamento profundamente que tudo isso esteja há tanto tempo longe das vistas dos moradores do Amapá e daqueles que nos visitam. 

A Semana nº 21


  • No domingo, 27, recebi e-mail do site ModelBlissNet informando que o perfil que mantenho lá foi escolhido como um dos destaques da semana (!). Algumas das fotos já foram publicadas aqui, de todo modo vai aqui o link pra quem quiser dar um confere.







26.11.16

Instagrei

Enfim ontem estreei no Instagram. Pra quem quiser me seguir, meu perfil é @fabiogomes.fotocinema. A foto que ilustra este post é a primeira que publiquei por lá, uma versão da estátua a Castro Alves que já vimos por aqui. A principal mudança é o corte na imagem, que de panorâmica passou a ser quadrada; tentei postar no formato original mas sempre dava erro. 

Há quase três meses, cheguei a comentar aqui no artigo Vivendo, Fotografando e Aprendendo de como criei uma conta no Pinterest ano passado, depois de não conseguir entrar no Instagram, que para minha surpresa só aceitava inscrições via dispositivo móvel. 

Algo deve ter mudado, pois para entrar agora foi relativamente fácil, mesmo eu usando um notebook. Alguém que é meu amigo no Facebook me mandou um convite, eu aceitei na opção "Entrar com Facebook" e em minutos eu tinha uma conta que me permitia seguir perfis e ser seguido (nem menciono ver as fotos, pois para isso nem precisa ter conta). Mas, para nova surpresa, não havia como eu publicar nada. Resolvi isso instalando o InstaPic, um aplicativo que a Microsoft oferece grátis via Loja do Windows 10. O que demorou mais foi descobrir que havia esse recurso tão simples (risos); das duas horas que levei para finalizar tudo, cerca de hora e meia foram em busca de uma ferramenta que permitisse a postagem de fotos (sem o quê ter uma conta lá me parece algo beeem inútil né). 

Nessas quase 24 horas que estou usando o serviço, posso dizer que o Insta é bem simples e fácil de usar. Ele é um bom híbrido de site de compartilhamento de fotos e rede social. Não vi ainda se há limite de caracteres para as legendas, mas também não me deparei ainda por lá com nenhum textão como se vê às pencas no Facebook.

Enfim, o Instagram me parece uma mistura de Twitter (há uma timeline, os textos de cada foto são curtos, e você segue perfis e é seguido) com Pinterest (no perfil de cada um você vê as fotos e pra saber mais clica nelas). E ao mesmo tempo, vejo nele uma opção melhor que o próprio Pinterest ou o Flickr. Por aí já vemos como foi visionária a ideia de Kevin Systrom e Mike Krieger ao criar o Instagram em outubro de 2010, ideia que os deixou bilionários um ano e meio depois, quando o Facebook adquiriu o serviço. 

Quando o Instagram surgiu, predominava o acesso via internet discada, então a web era mais usada para textos mesmo. Vamos recordar como era o panorama de compartilhamento de fotos em redes sociais naquela época:

- Existia o Facebook, mas sua interface era bastante hermética e confusa; ele era pouco usado, ao menos no Brasil;

- Quem dominava o nosso mercado era o glorioso Orkut, que permitia a postagem de 12 (sim, DOZE!) fotos, para incluir uma nova você precisava excluir uma antiga;

- Para postar fotos no Twitter, você precisava usar um outro site, o Twitpic (quase no estilo da postagem via InstaPic que relatei acima); 

- Fora isso, havia o Flickr, mais usado por profissionais, e o Fotolog, um blog fotográfico muito popular entre adolescentes, que o usavam praticamente como um diário aberto. 

Dessa lista toda, só quem sobreviveu foram o Facebook, depois de uma grande reinvenção em 2011 (quando começou a adotar recursos populares em outras redes, como a timeline do Twitter e o chat do MSN) e o Flickr, que adotou a estratégia do Instagram de focar nos dispositivos móveis. 



25.11.16

Portfólio em Destaque: Fabiana Figueiredo

Publicamos hoje o segundo Portfólio em Destaque, desta vez com a fotógrafa amapaense Fabiana Figueiredo, 21 anos. A seleção apresentada é bastante especial, pois sete das dez imagens que vocês vão ver aqui são inéditas!

A nosso pedido, Fabiana escreveu um texto de apresentação:

Tenho a fotografia como hobby há pelo menos 4 anos. Acredito que o melhor instrumento para um fotógrafo é a percepção, o olhar dele para a sua realidade. A maioria das fotografias que produzo são com o celular, que é o instrumento de trabalho que anda comigo sempre, que é só tirar do bolso, preparar a composição, esperar o melhor momento e “atirar”. 

Foi também através da fotografia que eu descobri uma paixão maior pelo audiovisual. Em 2014, produzi meu primeiro curta-metragem, chamado “Cores, Muros e Histórias”, com muitas experimentações. Em 2016, coloquei no ar meu segundo projeto audiovisual: o Boralí. Aliando meu amor pelo Amapá, vontade de conhecer cada lugar, querer mostrar para o mundo e meu engajamento com fotografia e vídeos, pensei em reunir tudo isso neste projeto, que propõe a divulgação de lugares para se conhecer no Amapá. Estou no fim do meu curso de Jornalismo e há 2 anos trabalho com webjornalismo em um portal de notícias. 

Para conhecer mais do trabalho de Fabiana, siga os links: 



Distrito de Mazagão Velho, em Mazagão - AP


Fortaleza São José de Macapá - Centro de Macapá - AP - inédita


Comunidade Ariri - Macapá - AP - inédita

Comunidade Ariri - Macapá - AP

 APA do Rio Curiaú - Macapá - AP - inédita


APA do Rio Curiaú - Macapá - AP - inédita


 Igreja São José - Centro de Macapá - AP

Balneário do Lós - Amapá - AP - inédita



As duas fotos também inéditas que encerram o post foram feitas no Parque Arqueológico do Solstício - Calçoene - AP. Sobre a última imagem, Fabiana comenta: Na foto aparece o "Seu Garrafinha", guarda-parque, e a pessoa que mais se preocupa com esse lugar, percebi isso pelo jeito que fala do lugar e pelo olhar dele. Ele quem descobriu o local. 

24.11.16

Curta: Tia Zezé no Encontro dos Tambores




Encerrando a postagem de curtas da série As Tias do Marabaixo aqui no blog, em homenagem ao Mês da Consciência Negra, é o momento de apresentarmos Tia Zezé no Encontro dos Tambores.

Lançado em 21 de abril de 2015, o curta é o único da série que tem som do inicio ao fim - os anteriores não tinham som na introdução e ao final (o que, aliás, é o padrão industrial do cinema). Como observei nas primeiras sessões dos curtas que as pessoas ficavam aguardando o som já na abertura (fruto, talvez, da nossa grande tradição radiofônica). resolvi fazer esta experiência ao editar o filme que encerra a série. Ao longo de todo o curta, se assiste um trecho do show do grupo Berço do Marabaixo apresentado no Encontro dos Tambores, em Macapá, em 23 de novembro de 2014, com Tia Zezé cantando seu ladrão de Marabaixo intitulado "Toar dos Tambores", filmado por mim com a Sony HD Blogger (outro trecho do mesmo show foi incluído no curta Natalina, postado aqui semana passada). Ao final, durante os créditos (com fotos feitas também no show citado), se ouve Tia Zezé cantando um trecho de seu clássico "O Remo". 

O curta já foi exibido em eventos e em escolas de Macapá, além de ter sido apresentado nos estados do Tocantins, Bahia e Rondônia durante a circulação do projeto em 2015. Trechos do filme foram incluídos em entrevista que concedi ao quadro "Vitrine" do programa Circuito da TV Cultura (Belém). A entrevista foi gravada em abril de 2016 e o programa foi exibido em junho. Tia Zezé... se tornou, desta forma, o único dos curtas já exibido parcialmente em TV aberta fora do Amapá. 


21.11.16

Belezas Culturais: Largo do Pelourinho



Na tarde de 28 de julho de 2015, fotografei este grupo de samba-reggae fazendo uma rápida apresentação no Largo do Pelourinho, centro histórico de Salvador. 

Esses 'pocket shows' são frequentes no local; em geral após os músicos tocarem, eles mesmos ou alguém que com eles trabalha vende CDs e/ou pede contribuições aos espectadores. Mas como mostra a foto, nem todas as pessoas que estão por ali se mostram ao menos interessadas no som. Coisas da vida. 

Ao fundo, vê-se o Museu da Cidade (em rosa claro; ele se encontrava fechado na minha temporada baiana do ano passado) e ao lado a Casa de Jorge Amado (o prédio azul). 


A Semana nº 20

Na quarta, 16, voltei a publicar no LinkedIn, e como quase sempre fiz ilustrei o texto com uma foto de minha autoria. No caso, uma inédita do pôr-do-sol em Salvador em 20 de agosto do ano passado. A viagem onde esta foto foi feita - a tal dos 11.920 km pelo Brasil - também é mencionada no texto, cujo tema principal é um convite para você se dar conta que não vai durar pra sempre neste planeta e começar a fazer logo o que quer fazer mesmo. Confira lá o Não somos eternos!



20.11.16

Ensaio de novembro: A beleza negra de Elmira Trindade

Sendo novembro o mês dedicado à Consciência Negra, decidi antecipar para hoje a postagem do Ensaio do Mês, que tradicionalmente vai ao ar no dia 23.

É a melhor ocasião para enfim dedicar um ensaio completo aqui no blog à lindíssima baiana Elmira Trindade, a primeira - e até agora única - pessoa que foi nossa Modelo da Semana em duas ocasiões, em 5 de julho e 4 de outubro.

As fotos foram feitas em Jequié, Bahia, em 13 de setembro do ano passado. A finalidade do ensaio: gerar fotos para a divulgação do meu curta Você é África, Você é Linda, do qual Elmira é uma das atrizes, ao lado de Selma de Oliveira, também a criadora dos turbantes que vemos neste ensaio. 










Este post completa, junto com os curtas d' As Tias do Marabaixo que vêm sendo postados às quartas, e com as fotos do monumento a Zumbi, em Salvador, a nossa série especial dedicados neste mês à Consciência Negra.

O vídeo deste ensaio inclui as fotos de Elmira já postadas antes aqui no blog, o que faz com que no total ele tenha 13 imagens. Selma de Oliveira também aparece em uma delas.


19.11.16

Belezas Culturais: Homenagem a Zumbi dos Palmares

Amanhã, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra, considerado feriado em um de cada cinco municípios brasileiros (oxalá em breve se torne feriado nacional). A data lembra o assassinato, em 1695, do líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi.

Nascido livre em 1655, na Serra da Barriga, atualmente parte do estado de Alagoas, Zumbi foi escravizado aos 6 anos de idade, vendido a um missionário português, que o batizou e lhe deu o nome de Francisco. Em 1670, escapou ao cativeiro e foi para Palmares, onde se destacou logo por suas habilidades estratégicas e militares. Expedições portuguesas enviadas ao quilombo em 1673 e 1675 esbarraram no firme comando de Zumbi.

Em 1678, o governador da capitania de Pernambuco (em cujas terras ficava o quilombo), Pedro Almeida, ofereceu um acordo ao então líder do quilombo, Ganga Zumba: Almeida garantia a liberdade aos negros, mediante a submissão de Palmares a Portugal. Ganga Zumba se mostrou favorável, mas Zumbi se opôs fortemente, pois almejava a liberdade para todos os negros trazidos da África para o Brasil e seus descendentes aqui nascidos. Seguiu-se então um período de disputa interna em Palmares, com Zumbi vencendo e tornando-se o novo líder do quilombo. Sob sua liderança, Palmares, que em 1630 registrara 2 mil habitantes, chegou a ter uma população de 20 mil em 1678.

Os portugueses seguiram atacando o quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694, as forças comandadas pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho destruíram Palmares, após a firma resistência de Zumbi por 22 dias. O líder negro, mesmo ferido, conseguiu escapar e se manteve escondido, possivelmente na área da Serra Dois Irmãos, que hoje faz parte do município de Viçosa, Alagoas. Delatado por Antônio Soares, Zumbi foi cercado por 20 soldados e executado em 20 de novembro de 1695. Sua cabeça foi cortada, salgada e enviada a Recife, onde o governador Melo de Castro a deixou exposta na Praça do Carmo, tanto para desmentir a suposta imortalidade de Zumbi (crença popular que se reafirmava a cada vez que as tropas portuguesas eram derrotadas ao tentar tomar Palmares) quanto para desencorajar novas rebeliões - isto era comum no período colonial, o mesmo acontecendo com Tiradentes, em 1792. O costume chegou até o século passado, com as cabeças dos cangaceiros do bando de Lampião, derrotado em 1938, também expostas em local público.  

Em 1995, 300 anos após a execução de Zumbi, o Movimento Negro Brasileiro adotou o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra, que a partir dali passou a ser decretado feriado em vários municípios e Estados brasileiros. 


As fotos do post são do monumento intitulado Homenagem a Zumbi dos Palmares, de autoria da artista Márcia Magno, e que se encontra na Praça da Sé, em Salvador, onde o fotografei em 20 de agosto de 2015. 

A estátua tem 2,20m de altura e é fundida em bronze, estando assentada sobre uma base de mármore negro. Cada face da base tem uma placa. A que se vê na foto que encerra o post assinala a inauguração do monumento em 30 de maio de 2008. Seguindo para a direita, há uma placa com a biografia de Zumbi; outra com a letra de "Zumbi, a Felicidade Guerreira", música de Gilberto Gil e Waly Salomão escrita para o filme Quilombo, de Cacá Diegues (1984) - nesse vídeo, você ouve a música e vê a abertura e cenas do filme, tudo legendado em inglês. A última placa descreve a escultura, destacando que Zumbi porta "uma lança de caça e um gládio, cópia fiel do 'Mukwale', peça preciosa, utilizada por grandes guerreiros cuja decoração do cabo representa o chefe tradicional em pé e atento a qualquer circunstância".

Em 2011, réplica da obra foi doada por Márcia Magno ao Museu Afro Brasil, de São Paulo.

  • Leia no blog da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas entrevista de Márcia Magno à Folha da Bahia em 2008, comentando a concepção e execução do monumento. 



17.11.16

Ninguém disse que era fácil

Não é porque não é fácil
que vamos deixar de sorrir
(Foto: eu em Salvador, jul/15,
por Laura Dantas)


Na tarde dessa quinta, talvez pela milésima vez (e dificilmente será a última) alguém me perguntou sobre como é possível viver através de festivais e editais na área de cultura, e pela milésima vez respondi que na verdade você não vive disso, o que deve fazer é se organizar para que não fique na dependência de seu filme ganhar o Kikito para você conseguir continuar se alimentando.

Ou seja, basicamente o que falei aqui no textão da semana passada (Acredite em você!), que mencionava várias oportunidades que existem ou que você mesmo pode criar para seu trabalho nas áreas de Artes & Comunicação. Entre eles, os famosos editais de seleção de projetos. 

Nestes editais, N pessoas ou empresas ou coletivos se candidatam a um número limitado de vagas ou verbas, e uma comissão de pessoas especializadas na área decide os selecionados levando em conta a proposta - e, muitas vezes, também o trabalho anterior - de cada inscrito. É comum que um processo assim leve meses, mas não necessariamente. Por exemplo, minha inscrição na Mostra Cine Redemoinho aconteceu no dia 2 de novembro, no dia 8 fui comunicado que meu filme Tia Biló fôra selecionado e a apresentação dele em Angra dos Reis aconteceu já no dia 11.

Isso só foi possível porque a Mostra Cine Redemoinho utilizou um sistema simples e todo online de inscrição, no qual só foi preciso eu informar meus dados básicos e o link para visualização do filme no YouTube, através do qual a organização do evento fez o download da obra para exibição. 

Essa forma de inscrição tem se popularizado entre os festivais de cinema, e até alguns de fotografia. Facilita para todos - os artistas não têm que gastar em cópias de papel (no caso da fotografia) ou em dvds (no caso de cinema) e menos ainda com o Correio. Mas ainda é comum você encontrar editais - em geral promovidos pelo setor público - que pedem para você mandar tudo em papel pelo Correio, muitas vezes simultaneamente com uma inscrição online (o que é, no mínimo, contraditório). Teve um que não só pedia tudo isso como ainda exigia que você assinasse a última página da ficha de inscrição impressa a ser enviada por Sedex junto com o DVD. Devo ter achado isso tão absurdo que acabei enviando sem assinar. Felizmente o órgão público não só me avisou como foi compreensivo ao permitir que eu enviasse a ficha assinada digitalizada em pdf como anexo de e-mail para não ter que gastar novamente com o Correio. Não custa lembrar que nem sempre o ente público é tão benevolente. 

Falando em setor público, é por vezes assustadora a montanha de documentos que lhe são exigidas apenas para você se inscrever num edital. Não estou falando em você já ter tido seu projeto aprovado e aí encaminhar a documentação de praxe para ter acesso à premiação (afinal, é um dinheiro público, seu uso tem que estar justificado). Estou falando em se exigir dezenas de documentos, certidões e assinaturas apenas para você pleitear a premiação. Toda vez que penso nisso, não consigo concluir outra coisa senão que toda essa exigência é ruim até para o próprio órgão público que lançou o edital, e que vai precisar receber e lidar com todo esse papel - e, naturalmente, descartá-lo depois de algum tempo, o que é algo bem sério (lembre-se, o papel vem de árvores mortas). Agora, o pior é quando o edital exige uma infinidade de documentos e nem ao menos oferece premiação em dinheiro! Que proteção do uso do dinheiro público está sendo feito nesse caso??

Até aqui, veja bem, falei de editais em que você talvez tenha algum gasto, quando for preciso enviar algo via postal. Fora isso, geralmente você não tem outro custo, ao menos em editais brasileiros. São raros os editais entre nós que cobram para você se inscrever. Agora há pouco, até me surpreendi ao ver a chamada do Fest Foto Brazil 2017, de Porto Alegre, cuja inscrição custa 30 dólares.

Esse tipo de cobrança é mais comum no exterior, em especial na Europa. Você simplesmente não se inscreve em festivais europeus, seja de fotografia, seja de cinema, sem pagar uma taxa de inscrição. E em alguns casos, em especial de fotografia, ainda precisa imprimir as imagens e enviar pelo correio, o que dá um senhor investimento! 

Por exemplo, o 11º Prêmio Internacional Arte Laguna, de Veneza (Itália), de artes visuais (incluindo a categoria Arte Fotográfica), cobra uma taxa de 55 euros para inscrição de obra única, e 100 euros para inscrição de duas obras - se você tiver menos de 25 anos, recebe um desconto de 10% nos valores. Caso opte pela inscrição por meio postal, que obviamente tem seu custo, você gastará ainda com a impressão da documentação e de fotos das obras (o que até faz sentido em categorias como Pintura, por exemplo, mas na categoria Arte Fotográfica vai contra o que diz o próprio edital, que pede que não se envie a obra!). Ok, os prêmios são interessantes (7 mil euros para o vencedor de cada categoria, mais exposição e publicação), mas também não é algo acessível para a maioria dos artistas brasileiros - cem euros hoje equivalem a 363 reais, mais de 40% de um salário mínimo. 

Enfim, em casos assim cabe a cada um avaliar se o investimento compensa e se tem condições de dispor deste valor agora sem ter a certeza se receberá ou não o prêmio. Mas, como já dizia o ditado : quem não arrisca, não petisca.

E afinal, ninguém falou que seria fácil! 


16.11.16

Curta: Natalina



Prosseguindo a veiculação aqui dos curtas d'As Tias do Marabaixo em homenagem ao Mês da Consciência Negra, hoje é dia de assistirmos o curta Natalina. O filme foi lançado em 4 de abril de 2015, Sábado de Aleluia, data que marca o início do Ciclo do Marabaixo no bairro da Favela,  em Macapá, tradicional local de residência da família da homenageada. Sua mãe, Tia Gertrudes, mudou-se para lá nos anos 1940, quando da desapropriação das casas das famílias negras na orla central do Rio Amazonas. 

O curta é o único da série que tem dois momentos distintos. Inicialmente, vemos Natalina, então com 82 anos, cantando um ladrão de Marabaixo de autoria de Tia Gertrudes; essa abertura foi filmada pela equipe da Graphite Comunicação durante o Ciclo do Marabaixo de 2014. Logo em seguida, temos o grupo Berço do Marabaixo interpretando "Mão de Couro", composição de Val Milhomem e Joãozinho Gomes que homenageia Natalina; é um trecho da apresentação do Berço no Encontro dos Tambores de 2014, filmado por mim. 

Este curta já foi exibido em eventos e em escolas de Macapá, além de ter sido apresentado nos estados do Tocantins, Bahia e Rondônia durante a circulação do projeto em 2015. Trechos do filme foram incluídos em reportagem sobre o projeto apresentada no programa Amazônia Revista da TV Amapá em 14 de junho de 2015.


15.11.16

Uma nuvem cobriu a Superlua



Assim como muita gente, fiquei animado com a possibilidade de fotografar a tal Superlua na noite de ontem, que seria a mais brilhante desde 1948 (quando minha mãe tinha só um aninho) e que não iria se repetir antes de 2034 (quando já estarei com 63 - ainda fotografarei?). Ainda mais que no meu prédio aqui em Macapá há uma sacada que permite boas fotos da lua já no começo da noite. 

Mas, também assim como muita gente, fiquei bastante decepcionado por uma lua que não pareceu em nada maior do que seu tamanho normal que já vimos toda noite no céu. 

Mas enfim, de toda situação podemos tirar algo bom. Aproveitei esse momento em que uma nuvem impediu a visão da lua para fazer estas fotos e criar esta montagem com os versos iniciais do poema "Nuvem", da Poeta Amadio.

  • Já blogamos antes o poema "Nuvem", aqui e aqui.


14.11.16

Belezas Culturais: Show Batom Bacaba - Patrícia Bastos



A cantora amapaense Patrícia Bastos encerrou na sexta, 11, a turnê de lançamento de seu sexto CD, Batom Bacaba com show no Teatro das Bacabeiras (Macapá). O disco tem o patrocínio do projeto Natura Musical e aprofunda o mergulho da artistas em suas raízes amazônicas, em especial o Marabaixo e o Batuque do Amapá. 



A banda que a acompanhou estava formada por Dante Ozzetti (violão e direção musical), Du Moreira (baixo e teclado), Marcelo Effori (bateria) e por dois percussionistas do Trio Manari, Kleber Benigno e Nazaco Gomes. 

Foram duas as participações especiais: a da cantora Brenda Melo, que dividiu com Patrícia um pot-pourri de parcerias de Dante Ozzetti com Luiz Tatit....



...e do percussionista Nena Silva, que participou do set mais regional, centrado em Marabaixo, Batuque e cacicó.



  • A festa começou antes mesmo de Patrícia subir ao palco. Nas escadarias do Teatro, o grupo Raízes do Bolão recebeu o público com muito Batuque e Marabaixo. 



12.11.16

Momento mágico: Capoeira



Esta foto foi feita em 21 de janeiro, em Macapá, ao final da caminhada do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A imagem foi publicada no Facebook no dia seguinte com a legenda:
Aquele momento feliz em que você consegue captar o momento em que um capoeirista dá um mortal no ar! 
* Capoeiristas no leito seco do rio Amazonas - orla central de Macapá, AP

11.11.16

Belezas Naturais: Mimetismo


Imagino um pássaro falando pro outro:

- Olha, um fotógrafo!

- Disfarça, finge que é um galho que ele desiste e vai embora.


***

Imagem captada nas cercanias da Lagoa da Jansen, em São Luís, em maio.


10.11.16

Acredite em você!

Em 8 de janeiro, publiquei no LinkedIn artigo intitulado O dia de acreditar em seu potencial é hoje, no qual eu comemorava a notícia de que meu curta Tia Biló passara a integrar o acervo itinerante do FestCineAmazônia, de Porto Velho (RO). Agora em novembro, o mesmo curta, como já noticiei aqui na terça, foi selecionado para exibição na Mostra Cine Redemoinho, em Angra dos Reis (RJ).

Uau, que sorte hein!, alguém poderia dizer. E eu responderia: na verdade, não. Os dois acontecimentos são frutos de uma decisão minha de inscrever meu trabalho em todos os editais, festivais, canais e todos os outros "ais" possíveis. Organizei meu tempo para que à noite, após ter feito o que estava destinado àquele dia (incluindo um novo post aqui no blog), eu possa garimpar oportunidades como estas. Talvez você considere que são relativamente poucos resultados para justificar tanta dedicação; então eu lhe direi que, se não houver dedicação, aí mesmo é que não haverá resultado algum. Afinal, vamos pensar: as oportunidades que chegam ao meu conhecimento estão disponíveis na internet, para todos (não, não disponho de 'informações privilegiadas' - risos). Cabe a mim enviar meu trabalho/ inscrição/ proposta e ficar no aguardo do resultado.

Ajuda muito também você não ficar especialmente preocupado com o resultado. Seja qual for o prêmio - exibição, publicação, prêmio em dinheiro, todas essas, várias outras possibilidades -, o negócio é seguir vivendo, atento, claro, aos prazos informados para divulgação dos resultados. E sempre tendo em mente o binômio "beleza & paciência" - se você for premiado, beleza; se não for, paciência. É apenas um edital, não um veredito definitivo sobre seu trabalho, sua capacidade, sua vida. E também, diferentemente do que foi dito inúmeras vezes ao longo deste ano, ninguém vai viver de editais; eles são lançados para financiar ações específicas, e vários aliás nem envolvem dinheiro. Por exemplo, os dois editais que citei no primeiro parágrafo :)

Se você tiver um trabalho artístico que possa virar livro, seja na área da fotografia, seja na da ilustração, ou mesmo da escrita (ficção, não-ficção, poesia, teatro e todos os vários etcs), saiba que os editais visando publicação são bem raros. Mas isto não é motivo para desanimar, seu livro pode ser publicado por você mesmo. Há várias formas de fazer isso: você pode contratar uma gráfica, imprimir X exemplares e depois cuidar da distribuição e divulgação, ou contratar quem faça isso. Ou você pode utilizar plataformas online onde o internauta poderá adquirir seu livro seja em formato digital (o chamado e-book), seja impresso (aqui você pode optar por edições por demanda, onde só haverá impressão do seu livro quando ocorrer uma venda, o que é uma extraordinária redução de custos, de necessidade de estoques, e mesmo de desmatamento. Pense na Amazônia!). E há ainda o audiobook - já pensou alguém caminhando pela Lagoa ouvindo no iPod um poema seu?

Enfim, talvez como nunca antes na história desse mundo, as oportunidades estão aí, à disposição de todos, Tanto as que lhe são oferecidas quanto as que você mesmo pode criar. Ano passado, por exemplo, coloquei meus curtas num pen-drive e minha exposição de fotos numa mala e circulei com o projeto As Tias do Marabaixo por três estados (Tocantins, Bahia e Rondônia), realizando três sessões dos curtas, duas exposições das fotos e uma edição da Oficina de Cinema Independente. Sem edital nem patrocínio, tudo na cara e na coragem. Se você quer que os outros acreditem em seu trabalho, comece dando o exemplo: acredite em você!
;)



9.11.16

Curta: Tia Biló



Continuando a série de posts com meus curtas sobre As Tias do Marabaixo, hoje é o dia de assistirmos Tia Biló. Este filme, como já noticiei aqui ontem, foi selecionado para a Mostra Cine Redemoinho, que acontece neste final de semana em Angra dos Reis (RJ). 

Tia Biló nasceu em 10 de fevereiro de 1925 e foi batizada com o nome de Benedita Guilherma Ramos. Na época, sua família morava onde hoje se situa a Praça Isaac Zagury, na orla central de Macapá, a poucos metros do Rio Amazonas. Quando a cidade se tornou capital do novo Território Federal do Amapá, em 1943, os novos governantes que chegaram removeram a população negra que morava naquela parte da cidade. As famílias afro-descendentes tiveram suas casas desapropriadas e receberam novos terrenos para moradia, nascendo assim os bairros do Laguinho e da Favela. Mestre Julião Ramos seguiu com sua família para o Laguinho, indo morar na Rua Eliezer Levy, na mesma casa onde hoje hoje é celebrado anualmente o Ciclo do Marabaixo, casa esta que recebeu o nome de Centro Cultural Tia Biló, em homenagem à única filha viva de Mestre Julião. Tia Biló continua participando ativamente dos festejos - este ano mesmo, na Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo, cantou ladrões por mais de 2 horas na roda de Marabaixo (o que resultou neste vídeo que lancei em maio). 

Nem sempre, porém, Tia Biló canta por tanto tempo. No dia em que eu e a equipe da Graphite Comunicação fizemos os registros que resultaram no curta postado hoje, Tia Biló cantou exatamente o tempo do vídeo, ou seja, menos de 5 minutos. Foi uma incrivelmente feliz coincidência que estivéssemos lá, a postos, no preciso momento em que isto aconteceu. Até porque, sendo o dia de encerramento do Ciclo do Marabaixo de 2014 (domingo, 22 de junho), percorremos todas as casas que realizavam as festas naquele ano, então se tivéssemos chegado um pouco depois talvez não tivéssemos presenciado e registrado este momento. 

Este curta já foi exibido em Macapá (AP), Paraíso (TO), Jequié e Salvador (BA), Porto Velho (RO) e Belém (PA). Trechos dele foram exibidos em reportagem sobre o projeto apresentada no programa Amazônia Revista da TV Amapá em 14 de junho de 2015. Ele também foi selecionado para compor o acervo itinerante do FestCineAmazônia, festival realizado anualmente em Porto Velho. Fora isso, gerou para mim uma grande alegria, quando depois da exibição na Biblioteca Pública de Salvador os estudantes baianos saíram cantando pelos corredores É de manhã, é de madrugada... 
:D



8.11.16

Curta Tia Biló na Mostra Cine Redemoinho (RJ)



Meu curta-metragem Tia Biló foi selecionado para exibição na Mostra Cine Redemoinho, em Angra dos Reis (RJ). O anúncio foi feito na página da Mostra no Facebook agora há pouco, às 17h52. O curta, que integra a série As Tias do Marabaixo, é o único selecionado da Região Norte.

A Mostra Cine Redemoinho será realizada nos dias 11 e 12 de novembro, próxima sexta e sábado, como evento paralelo do 2º Congresso de Diversidade Cultural e Interculturalidade de Angra dos Reis, no IEAR/UFF (Instituto de Educação de Angra dos Reis da Universidade Federal Fluminense). 

A Mostra, que não é competitiva, tem o intuito de disseminar a produção audiovisual de realizadores independentes, coletivos comunitários e cineastas étnicos do território brasileiro. 

Esta é a primeira vez que um curta-metragem meu é selecionado para exibição em uma mostra. 

7.11.16

Belezas Culturais: Osmar Júnior no Sescanta 2014


Anualmente, o SESC Amapá promove o festival Sescanta, sem caráter competitivo, onde cantores e compositores inscrevem músicas inéditas. Os selecionados pelo júri fazem algumas noites de show para apresentar sua nova safra ao público.

Fiz esta foto na segunda e última noite do Sescanta de 2014, realizado na unidade Araxá do SESC (Macapá), em 5 de dezembro. Nela, vemos Osmar Júnior, logo após sua participação no show, posando para um fotógrafo. Tive a felicidade de captar o colega em contraste frente à combinação de fumaça e luzes. 

Cantor e compositor, Osmar Júnior, também conhecido como Poetinha, é dos maiores nomes da música do Amapá. tendo integrado nos anos 1980 o Movimento Costa Norte, que estabeleceu as bases do que hoje é  conhecido como MPA (Música Popular Amapaense). 



A Semana nº 19



No sábado, 5, fui agraciado com o Diploma de Destaque Cultural, concedido pelo Conselho Estadual de Cultura do Amapá, em nome do governo do Estado. 

A entrega aconteceu na Praça Veiga Cabral, em Macapá, em evento realizado pelo Conselho juntamente com a Associação Literária do Estado do Amapá e os grupos poéticos Poesia na Boca da Noite e Pena & Pergaminho.

Foi em encontros do Pena & Pergaminho que exibi pela primeira vez os curtas da série As Tias do Marabaixo, em 2015.


5.11.16

O silêncio de depois

Lembram do limão que vimos aqui no sábado passado no post Verde sobre Vermelho




Hoje vemos o que restou dele após temperar o peixe que almocei em Belém em 3 de abril. 

  • "O silêncio de depois" é parte de um verso de Vinicius de Moraes na canção "Minha Namorada", parceria com Carlos Lyra - Seus braços o meu ninho no silêncio de depois....


4.11.16

Belezas Naturais: Lago de Palmas



Em foto que fiz em 19 de julho de 2015, o Sol faz arte abstrata na água do Lago de Palmas, junto à Praia da Graciosa. 



3.11.16

A fotografia irá se acabar?

Na quinta, 27 de outubro, o fotógrafo Sebastião Salgado, ao receber no Rio de Janeiro o Prêmio Personalidade França-Brasil, foi enfático ao prever o fim da nossa profissão: 

- A fotografia está acabando porque o que você vê no Instagram ou no telefone não é fotografia. Fotografia é um objeto materializado que você imprime, você tem, você olha. 

No trecho acima, reproduzi a fala de Salgado neste vídeo postado pela EFE Brasil no YouTube, e que aparece reproduzido, com algumas adaptações, na reportagem de Carlos A. Moreno para o site Terra, ambos postados no dia 28. Tantos estes conteúdos como a matéria creditada à AFP e publicada no mesmo dia pela Ilustrada/Folha de S. Paulo trazem no título a palavra "extinção", que Salgado não chegou a usar, mas que é coerente, sim, com suas previsões. Vamos a outro trecho da sua fala, reproduzido pelo Terra:

- A fotografia é o que os seus pais fizeram quando você era criança: revelaram um filme que fizeram de você na esquina; fizeram um álbum e guardaram essas fotos. A fotografia é algo intrínseco, que você toca. Hoje, o que existe é imagem. A imagem não é fotografia. Mudamos o conceito dela. Passamos para outra coisa. E estamos em processo de eliminação da fotografia. Não acredito que a fotografia vá viver mais do que 20 ou 30 anos. Vamos passar para outra coisa. Fotografia era uma memória, uma referência. Hoje, a imagem é uma linguagem. Instagram é outra coisa. O que eu faço não é isso. O que eu faço é fotografia. Isso é imagem, o que é outro conceito. 

A meu ver, estas declarações de Sebastião Salgado vão pelo mesmo caminho daqueles que proclamam a superioridade sonora dos discos de vinil sobre os CDs e arquivos MP3 ou dos que questionam se um e-book é um livro (basta ver o texto assinado por Joseba Elola publicado no dia 9 de outubro no site da edição brasileira do jornal espanhol El Pais e cujo título é uma ode ao livro impresso: Quero ler em papel). É a confusão entre suporte e produto - a foto não é sua impressão, a música não é o LP, um livro não é sua versão impressa-e-encadernada.

No cinema, o processo já há bastante tempo é todo digital, até que chega a hora de passar o filme pronto para película a fim de exibir no circuito comercial - como já se fazia em 1891! Lembro até que, num debate sobre restauração de filmes antigos, vi alguém reclamar que o que se faz comumente é passar o filme da película para um suporte digital e a partir daí se trabalhar apenas com o filme já digitalizado, deixando de lado a película. Mas o que é mais importante, a criação artística, ou o suporte na qual ela esteja eventualmente?

  • (Um parêntese: ao contrário do que a fala de Sebastião Salgado dá a entender, a fotografia não nasce tendo como desdobramento obrigatório a impressão em papel. A primeira fotografia produzida pelo francês Joseph Niépce, em 1826, foi fixada numa placa de estanho. Treze anos depois, o britânico William Talbot passou a usar papel para as funções hoje desempenhadas pelo negativo, ou seja, captar a imagem, e pelo papel fotográfico, onde essa imagem é reproduzida. Já em 1851, o inglês Frederick Archer cria o negativo de chapa de vidro, facilitando a impressão em papel. Vinte anos depois, o físico Richard Maddox, também inglês, inventou o negativo com emulsão que passou a ser o padrão da indústria, popularizado a partir de 1886 pelo americano George Eastman através da Kodak. Ao longo desses 60 anos, portanto, a impressão em papel convivia com a fixação em outros suportes, como chapas de vidro e de metal.)