09/11/2016

Curta: Tia Biló



Continuando a série de posts com meus curtas sobre As Tias do Marabaixo, hoje é o dia de assistirmos Tia Biló. Este filme, como já noticiei aqui ontem, foi selecionado para a Mostra Cine Redemoinho, que acontece neste final de semana em Angra dos Reis (RJ). 

Tia Biló nasceu em 10 de fevereiro de 1925 e foi batizada com o nome de Benedita Guilherma Ramos. Na época, sua família morava onde hoje se situa a Praça Isaac Zagury, na orla central de Macapá, a poucos metros do Rio Amazonas. Quando a cidade se tornou capital do novo Território Federal do Amapá, em 1943, os novos governantes que chegaram removeram a população negra que morava naquela parte da cidade. As famílias afro-descendentes tiveram suas casas desapropriadas e receberam novos terrenos para moradia, nascendo assim os bairros do Laguinho e da Favela. Mestre Julião Ramos seguiu com sua família para o Laguinho, indo morar na Rua Eliezer Levy, na mesma casa onde hoje hoje é celebrado anualmente o Ciclo do Marabaixo, casa esta que recebeu o nome de Centro Cultural Tia Biló, em homenagem à única filha viva de Mestre Julião. Tia Biló continua participando ativamente dos festejos - este ano mesmo, na Quarta-Feira da Murta do Espírito Santo, cantou ladrões por mais de 2 horas na roda de Marabaixo (o que resultou neste vídeo que lancei em maio). 

Nem sempre, porém, Tia Biló canta por tanto tempo. No dia em que eu e a equipe da Graphite Comunicação fizemos os registros que resultaram no curta postado hoje, Tia Biló cantou exatamente o tempo do vídeo, ou seja, menos de 5 minutos. Foi uma incrivelmente feliz coincidência que estivéssemos lá, a postos, no preciso momento em que isto aconteceu. Até porque, sendo o dia de encerramento do Ciclo do Marabaixo de 2014 (domingo, 22 de junho), percorremos todas as casas que realizavam as festas naquele ano, então se tivéssemos chegado um pouco depois talvez não tivéssemos presenciado e registrado este momento. 

Este curta já foi exibido em Macapá (AP), Paraíso (TO), Jequié e Salvador (BA), Porto Velho (RO) e Belém (PA). Trechos dele foram exibidos em reportagem sobre o projeto apresentada no programa Amazônia Revista da TV Amapá em 14 de junho de 2015. Ele também foi selecionado para compor o acervo itinerante do FestCineAmazônia, festival realizado anualmente em Porto Velho. Fora isso, gerou para mim uma grande alegria, quando depois da exibição na Biblioteca Pública de Salvador os estudantes baianos saíram cantando pelos corredores É de manhã, é de madrugada... 
:D



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