14.7.16

Minha mãe e eu


Hoje, 14 de julho, minha mãe, Glaci Oliveira, completaria 69 anos, se não houvesse deixado este mundo há quatro anos e meio. 

Ouço muita gente comentar de como precisou abrir mão de seus sonhos para agradar pai & mãe, ou de como a família, de algum modo, buscou direcionar suas escolhas pessoais ou profissionais. Comigo isto nunca aconteceu; minha mãe sempre respeitou e apoiou minhas decisões, em especial as duas maiores mudanças que fiz enquanto ela ainda estava entre nós - a saber, sair do serviço público (2003) e ir morar em Belém (2010). Por respeitar e apoiar não quero dizer adesão automática, mas conversamos muito sobre os assuntos e ao final ela compreendeu minhas razões e nunca me questionou. 

Além de ter sido uma das personagens de minha primeira foto, minha mãe me presenteou com minha segunda câmera, uma Canon semi-automática (a primeira foi uma Zenit, que comprei do meu primeiro professor de Fotografia, Sérgio Zanchetti, de Bento Gonçalves-RS, que representava a Fuji na cidade, e também já falecido). Já meu trabalho com Cinema ela não chegou a presenciar, já que inciei essa atividade há apenas dois anos. Porém é de um relato dela que sei que isto já era um desejo meu muito antigo. Há talvez uns 15 anos, comentei com ela minha intenção de inscrever um projeto de pesquisa em um edital, trabalho este que teria como um de seus desdobramentos previstos a realização de um filme, e em sua resposta minha mãe relatou que, muito pequeno ainda, comentara com ela alguma vez a ideia de trabalhar com Cinema e ela pensara (mas acertadamente, não dissera isso para alguém ainda tão jovem): Poxa, Cinema é legal mas é tão caro, como é que vamos fazer? (Felizmente o mundo mudou e hoje na Oficina de Cinema Independente demonstro como é possível realizar, editar e lançar um filme a custos muito baixos). 

Desconheço o autor da foto (se descobrir o creditarei aqui), feita em Porto Alegre talvez ainda em 1971. Nasci nesse ano, em agosto, auge do inverno gaúcho. Minha mãe está de manga comprida, embora a blusa pareça leve, então talvez já estivéssemos na primavera - a partir de novembro, já pode fazer bastante calor na capital gaúcha. Então deixo pra quem entende de tamanho de bebês responder se eu poderia ter um ou dois meses na foto do post. 

Não foi a primeira foto em que apareci, mas foi meu primeiro ensaio (risos). Encontrei várias fotos parecidas no mais antigo álbum da família; localizei também um quadro que foi feito com uma das fotos desse ensaio. Escolhi esta especificamente porque é a única em que, em vez de olhar para minha mãe ou fitar o nada, percebe-se que notei haver mais alguém no recinto e pareço estar perguntando: Mãe, por que esse moço tá segurando essa coisa na frente do rosto dele?? Teria eu então tomado consciência da Fotografia!
:) 



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