11.7.16

Belezas Culturais: Alcântara



Uma vista da Praça da Matriz de Alcântara, Maranhão, a partir da sacada da Prefeitura. Dominando a foto, veêm-se as ruínas da Igreja de São Matias. À sua esquerda, em primeiro plano a parte de cima de um antigo poste de iluminação, em segundo plano o Pelourinho da cidade (considerado o único original que ainda pode ser visto no Brasil) e em terceiro plano, a bandeira do Divino Espírito Santo. Usei a nova Nikon L330. 

Estive na cidade em 8 de junho de 2016; a Festa do Divino já havia terminado, mas segundo o guia que contratei é normal que a bandeira fique na praça por algumas semanas após os festejos. O Pelourinho foi instalado em 1648; há quem diga que teria servido apenas como símbolo da autoridade portuguesa sobre a cidade, sem nunca ter sido empregado como local de açoite de escravos que haviam fugido e novamente capturados (o açoite público servia como desestímulo para novas fugas). 

Já a igreja teria sido inaugurada em 1622 e sido por muito tempo a matriz da cidade, até ser atingida por um raio em 1875, o que condenou boa parte da estrutura. O guia me contou que, temendo que o que restara da igreja desabasse sobre sua casa, o morador do imóvel azul clarinho que se vê ao fundo da foto teria derrubado a maior parte do que sobrara de pé, dando às ruínas o aspecto atual. Segundo o guia, quem cometeu este gesto foi o poeta Sousândrade (1833-1902). Não me pareceu uma atitude compatível com um poeta. Na biografia do poeta na Wikipedia, não consta nenhuma referência a ele ter morado em Alcântara. Há, sim, uma citação à cidade no começo do poema "Da Harpa XLV", de 1859:
Eu careço de amar, viver careço
Nos montes do Brasil, no Maranhão,
Dormir aos berros da arenosa praia
Da ruinosa Alcântara, evocando
Amor … Pericuman! … morrer … meu Deus!
Quero fugir d’Europa, nem meus ossos
Descansar em Paris, não quero, não!

Há quem diga também que o poeta nasceu em Alcântara, embora na maioria das biografias conste a cidade maranhense de Guimarães como sua terra natal. Carlos Torres-Marchal, um especialista na obra de Sousândrade, que é citado no blog Literatura Limite, de Raimundo Nonato Fontenelle, menciona que ele poderia ter morado em Alcântara na juventude, embora sem dar certeza, porém (neste caso, a derrubada da igreja seria lenda, pois em 1875 o poeta já contaria 42 anos). Torres-Marchal também relata a existência de muitos contemporâneos do poeta que tinham nome civil idêntico (Joaquim de Sousa Andrade) ou ao menos muito parecido. Um deles seria 
Joaquim de Souza (...) um potentado maranhense, cujo sobrado em Alcântara, situava-se próximo ao dos Andrades, antepassados do poeta. 

Porém a casa azul ao fundo da foto visivelmente não é um sobrado, pois tem só um piso, e não dois, como os sobrados. Enfim, o mistério continua!


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