10/07/2019

Arquivo 2016: Belém: Protesto contra fim do MinC

Belém - Há poucos minutos, andando pela Travessa Quintino Bocaiúva, ouvi um batuque que vinha do sentido da Av. Governador José Malcher, com alguém cantando "Maracatu Atômico" (Jorge Mautner - Nelson Jacobina) e "Vai Passar" (Francis Hime - Chico Buarque). Em seguida, localizei a origem: o som vinha do pátio de um dos prédios do Iphan no Pará, onde vários artistas se manifestam contrários ao fim do Ministério da Cultura, cuja estrutura passará à esfera do Ministério da Educação, num retrocesso de 31 anos.













A direção da representação regional do Iphan no Pará se encontra reunida neste momento; comunicado oficial deverá ser emitido às 17h de hoje.


  • Making-off do post - Publicado no blog Jornalismo Cultural em 18.5.16. 

  • O presidente interino Michel Temer anunciara em 12 de maio a extinção do Ministério da Cultura, que se tornaria uma secretaria do Ministério da Educação. Imediatamente houve manifestações em todo o país, com a ocupação de sedes regionais do MinC, Iphan e Funarte. Em função dos protestos, Temer voltou atrás na decisão e restabeleceu a partir de 23.5.16 o status de ministério para a pasta da Cultura, que foi novamente extinta quando da posse do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, quando, sem protestos de tal monta, a estrutura da pasta foi incorporada pelo novo Ministério da Cidadania. 

09/07/2019

Vídeo: Vida de Fotógrafo 3

Vídeo gravado para o IGTV em Belém (PA), em 9.7.19, no qual conto como passei a ser creditado por minhas fotos no jornal onde comecei a fotografar, em 1991




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Arquivo 2015: 11.920 km pelo Brasil


Ao final da quarta-feira, 18 de novembro, concluí uma importante etapa em minha trajetória profissional e pessoal não só deste ano, mas com certeza de minha vida. Ao desembarcar no aeroporto de Macapá, procedente de Manaus, encerrei uma viagem que durou quase cinco meses e me levou a percorrer sete estados brasileiros (Pará, Goiás, Tocantins, Bahia, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas), totalizando (aproximadamente) 11.920km. A imagem que abre o texto mostra um barco navegando no Rio Madeira, entre Porto Velho e Manaus.

O motivo da viagem foi divulgar em outros estados o meu trabalho de valorização da cultura tradicional do Amapá, traduzido em meu projeto As Tias do Marabaixo, e também oferecer a instituições públicas e privadas a contratação de apresentações de artistas que produzo e/ou represento, nas áreas de Música e Literatura. Em meio à viagem, idealizei e estruturei uma nova atividade, a Oficina de Cinema Independente, que foi incorporada de imediato ao rol de atividades que ofereci às instituições. Isto no âmbito profissional; no aspecto pessoal, aproveitei para conhecer melhor os lugares por onde passei (eu já estivera em quase todos estes estados, menos Goiás e Mato Grosso,  quase sempre contratado para realizar um curso ou oficina, ou então cobrindo algum festival - em ambas situações, você acaba ficando muito focado no evento e pouco circula pela cidade onde ele se realiza).

Eu já havia pensado antes em fazer algo semelhante, aliás, creio que o desejo de "botar uma mochila nas costas e sair por aí" é uma fantasia recorrente na nossa civilização. O que me fez ver que era oportuno investir nisso agora foi justamente o lançamento, no começo do ano, dos curtas-metragens do projeto As Tias do Marabaixo, que vieram se somar à exposição de fotos criada no ano passado. Minha intenção inicial era, além de tentar vender shows dos artistas que represento, ir realizando mostras dos filmes e expor as fotos ao longo do percurso. Programei-me para sair de Macapá após o Dia Estadual do Marabaixo (16 de junho) e retornar em novembro, a tempo de acompanhar o Encontro dos Tambores (grande evento que reúne na capital do Amapá, na Semana da Consciência Negra, todos os grupos de Marabaixo e Batuque existentes no estado).

A viagem começou a tomar forma em abril, quando recebi o convite para cobrir o Mutum - 1ª Mostra de Música Instrumental e Cultura Popular do Tocantins, entre os dias 10 a 12 de julho, no distrito de Taquaruçu, próximo a Palmas. A etapa inicial da viagem então seria primeiramente, sair de Macapá para Belém (o que é praticamente obrigatório, pois você só sai de Macapá de navio ou avião, e o primeiro destino no Brasil é, tradicionalmente, Belém; só há bem pouco tempo passou a haver vôos diretos entre Macapá e Brasília) e de lá ir para Palmas, participar do Mutum e depois seguir para a Bahia - eu tinha muita vontade de mostrar meu projeto, que retrata o Marabaixo, uma cultura negra forte, da Amazônia, na capital da cultura negra do Brasil. Depois da Bahia, a ideia era ir a Brasília contatar as embaixadas dos países de fala espanhola da América do Sul (são nove, os sete que fazem fronteira com o Brasil, mais Equador e Chile). Em todos estes países, o brasileiro pode entrar apenas com documento de identidade, não necessitando passaporte nem visto. Da capital federal, pretendia seguir por Mato Grosso e Rondônia (entrando eventualmente nos países vizinhos) até chegar a Manaus, de onde voltaria a Macapá de navio, mesmo meio de transporte pelo qual deixei o Amapá em junho. Quase todo o restante do percurso foi feito de ônibus, com exceção do final - como já mencionei, o retorno de Manaus para Macapá foi de avião.

As razões de eu priorizar os deslocamentos por terra ou água foram basicamente três: 1º, a vontade de conhecer mais a fundo as regiões por onde eu iria passar, o que você não consegue indo de avião (voando eu não teria visto uma chalana descendo o Rio Paraguai, como na canção de Mário Zan e Arlindo Pinto); 2º, o custo menor das passagens (salvo datas muito específicas, o custo das passagens de navio e ônibus não varia, como as de avião, que são tão mais altas quanto mais perto da data de viajar você compra); 3º, o excessivo volume de bagagem que tive por quase toda a viagem.

Isto foi, sem dúvida, meu maior erro. Saí de Macapá com duas malas e uma bolsa grande (basicamente, numa mala tinha todas as minhas roupas, na outra material dos artistas que represento e na bolsa os banners com as fotos da exposição). A mala com material dos artistas ia ficando mais leve a cada cidade visitada, o que não acontecia com a bolsa. Mas aproveitei a viagem para exercer o desapego e doei boa parte das roupas que eu levava, em Belém e em Palmas. Já em Manaus, fui ao Correio me informar e soube que é possível você despachar uma mala (desde que ela não exceda 30kg, e a minha "bateu na trave", com 29,4kg). Sem dúvida bem mais prático e econômico do que pagar excesso de bagagem a uma companhia aérea (como se sabe, o limite para bagagem por passageiro é de 23kg). Livre da mala, pude enfim optar por pegar um avião.

Para quem pretende fazer uma viagem semelhante, circulando de ônibus pelo Brasil e de navio pela região amazônica, é bom ter em mente que as informações sobre itinerários e valores são, infelizmente, bem escassas, o que me impediu de já sair de Macapá em junho com o planejamento da viagem todo feito. Por exemplo, só chegando a Porto Velho é que você vai descobrir onde compra a passagem de navio para Manaus. Ou então constata que não tem como ir direto de ônibus de Belém a Palmas (embora sejam capitais de estados vizinhos). No meu caso, especificamente, essa impossibilidade de planejamento prévio não chegou a ser um problema; como já falei, nas vezes anteriores, eu ia para estes lugares para um evento, sem poder conhecer nada das cidades. Então usei esse aspecto, que poderia ser negativo, a meu favor, me permitindo ficar nas cidades visitadas o tempo necessário para fazer os contatos e, quase sempre, fazer turismo, seja visitando locais históricos, seja degustando a culinária local. (Dica: descobri que no site da Rodoviária de Goiânia é possível comprar passagens de ônibus para vários destinos no país, não necessariamente chegando ou partindo de Goiás, e o pagamento pode ser feito com cartão ou mesmo boleto bancário, do mesmo modo adotado por algumas companhias aéreas).

Em relação aos contatos, bem cedo me dei conta de que o agendamento de sessões dos meus curtas e/ou exposição das minhas fotos, durante o período mesmo da viagem, seria bastante difícil. Pela internet é possível saber que há uma vasta rede de cineclubes no país, mas não encontrei em lugar algum uma lista dos diversos existentes nos estados que percorri. Mesmo assim, consegui exibir os filmes em Paraíso (TO), Salvador (BA) e Porto Velho (RO) - nas duas primeiras cidades, também expus as fotos. Ainda na Bahia, realizei em Jequié a primeira edição da já citada Oficina de Cinema Independente, cuja ideia me ocorreu em julho no ônibus em que fui de Palmas a Salvador (aliás, devo dizer que aproveitei muito bem o tempo passado nos ônibus e nos navios, sem conexão possível com a internet, para organizar as ideias e projetar bastante coisa já para 2016. Mas enfim, tenha em mente que a propagandeada "cobertura nacional" das operadoras de celular se concentra, na maior parte das vezes, nos centros urbanos).

A ideia de criar a Oficina alterou radicalmente a sequência da viagem. Eu já tinha um convite para ir a Jequié, no começo de agosto, para uma mostra dos curtas. Como o evento precisou ser transferido para setembro, vi ali a possibilidade de estrear a Oficina, aproveitando então o tempo para escrever o texto-base e preparar as aulas. Ao retornar de Jequié, decidi ficar mais um mês em Salvador, para poder oferecer a Oficina para instituições culturais e de ação social. Acabei ficando, então, quase três meses (julho a outubro) em Salvador, o que influenciou todo o restante da viagem. 

Ah, sim: tão logo o evento em Jequié mudou de mês, fui em busca de um quarto para alugar na área central da capital baiana - sendo a cidade turística, são comuns os aluguéis de casas ou mesmo quartos mobiliados por temporada, e mais uma vez a melhor forma de se informar é... estando lá). Nas outras cidades, escolhi os locais onde me hospedar em duas principais fontes: a rede de albergues da juventude Hi Hostels (à qual me associei assim que cheguei a Belém, em junho. Ser associado garante descontos nas hospedagens em 95 hostels de 20 estados) e o site Booking (após fazer se cadastrar e fazer a primeira reserva, você passa a contar com facilidades como reservar pelo site e só pagar a primeira diária ao fazer o check-in no hotel escolhido).  

Enfim, como só saí da Bahia em 20 de outubro e o Encontro dos Tambores acontece sempre na segunda quinzena de novembro, o jeito foi 'encurtar' as estadias nas etapas seguintes (além de trocar Brasília por Goiânia, já que também ficara descartada a ida aos países vizinhos ainda este ano). A passagem por Goiânia foi a mais breve do percurso (quatro dias, um dos quais feriado - o aniversário do município). Aqui, mais um aspecto da dificuldade de um "planejamento total", prévio à viagem: não existe (ou se existe, não encontrei) uma base de dados confiável informando feriados de municípios e estados do Brasil. Mesmo os sites oficiais podem omitir algumas datas comemorativas, como o Dia do Comerciário que fechou boa parte das portas das lojas de Salvador na véspera da minha saída (19 de outubro), e sobre a qual nem o hostel nem os serviços de turismo tinham conhecimento...  

Finda a viagem, é o momento de, primeiro, acompanhar o Encontro dos Tambores e, em seguida, retomar a rotina (até porque boa parte dos contatos só deve gerar frutos para o próximo ano) e começar a pensar na próxima viagem, na qual quero enfim percorrer os países vizinhos, não sem antes passar pelos estados do Nordeste (só conheço até hoje Bahia, Pernambuco e Maranhão). Datas e itinerários ainda estão em aberto, mas uma certeza eu já tenho: vou levar beeeeem menos bagagem - uma mochila para o notebook, uma bolsa para as roupas e talvez uma pequena mala que possa ser despachada nos trechos que eu venha a fazer de avião. Afinal, já diz o velho ditado que "é errando que se aprende".


  • Making-off do post - Publicado originalmente no LinkedIN em 23.11.15 e republicado no blog Jornalismo Cultural no dia seguinte. Postei artigos originais no LinkedIN entre 22.7.15 e 16.11.16, até que, devido ao baixo volume de leituras e repercussão zero, optei por sair do site, mesmo porque ele jamais me gerou oportunidade profissional alguma (que era o objetivo de estar lá). 

  •  O post original no blog inclui outras fotos onde eu apareço. 

  • Até o momento segue sendo minha viagem mais longa.

  • Como dito no final do texto, na viagem seguinte minha bagagem foi bem mais leve. Aliás, o padrão descrito na penúltima frase foi praticamente o que adotei para minha vida no geral: mala para roupas, mochila para notebook e bolsa para material de trabalho. A mala, aliás, deixou de ser aquela 'padrão' para 23kg e passou a ser uma mala de palha, onde devem caber, se tanto, 10kg. Uma forma não só de exercer na prática o desapego, como para me adequar à realidade, já que desde 14.3.17 caiu a gratuidade para despachar bagagens aéreas com até 23kg (e que já foi bem mais flexível; lembro que em 2004 não me foi cobrado excesso de bagagem quando, voltando de Belo Horizonte, despachei uma mala com mais de 27kg).   

08/07/2019

A Semana nº 86





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ESTATÍSTICAS DO MEU INSTAGRAM

  • Estou no momento com 2551 seguidores, 22 a menos que na semana anterior (24 a 30.6). Meu perfil recebeu 127 visitas, sendo 25 no sábado 6 e 9 na quinta 4, e foi descoberto por 9843 contas na semana de 1 a 7.7, sendo 2,3 mil na quinta e 1,1 mil no domingo 7. 

  • Publiquei 92 conteúdos na semana, 14 a mais que na anterior. A foto mais vista foi esta selfie-denúncia (risos), publicada no sábado e já vista 289 vezes. Aliás, tenho feito uma experiência usando menos hashtags, por vezes nenhuma, como neste caso, e não notei muita diferença no número de acessos, apenas no de curtidas e, sim, uma queda no número de seguidores, como relatado acima (o que de forma alguma me preocupa, apenas estou relatando). 


  • O meu público segue concentrado em Maceió (que assumiu novamente a liderança), Belém e Macapá, todas com 14%. Seguem-se São Paulo (5%) e Murici-AL (2%). 

  • As mulheres são 70% do meu público, predominando as faixas etárias de 18 a 24 e 25 a 34 anos (ambas com 36%). A faixa 25-34 lidera no público em geral (38%) e entre os homens (42%).

  • Tive 1,7 mil seguidores onlines em todos os dias da semana, exceto na quinta 4, quando foram 1,8 mil. Exatamente o quadro da semana anterior. 

  • De acordo com o Gerenciador de Anúncios do Facebook, os horários de maior resposta a meus anúncios em julho tem sido às 22h (7,52%) e às 21h (7,42%). Já os estados de maior resposta são a Bahia (19.27%), o Pará (16%), a Paraíba (11,17%), Pernambuco (11,07%) e Alagoas (8,02%). 


07/07/2019

Arquivo 2014: Sesc Amazônia das Artes em Macapá

Nesta semana, acompanhei dois eventos da programação do SESC Amazônia das Artes aqui em Macapá. Pra quem não sabe, é um evento que os SESCs da Amazônia Legal realizam duas vezes por ano (maio e agosto), promovendo a circulação de espetáculos de música, dança e teatro, além de filmes, por 10 estados (toda a região Norte, mais Maranhão, Piauí e Mato Grosso).  

Estas primeiras fotos são do show Inoromô, do grupo maranhense Afrôs, cuja formação tem predominantemente (mas não exclusivamente) mulheres tocando percussão. O repertório, de composições próprias, traz também surpresas como cantos indígenas. O show aconteceu na segunda, 18, no SESC Centro. 



Grupo Afrôs degusta a gengibirra amapaense


Já agora, no começo da noite do sábado, em frente à Casa do Artesão, assisti a montagem do grupo Visse Versa, de Rio Branco, para As Mulheres de Molière, uma colagem de textos do comediógrafo francês do século 17 relidos pela graça e pela musicalidade brasileiras. A música permeia o espetáculo todo, cuja encenação recorre, mas sem se apoiar exclusivamente, em elementos da commedia dell'arte. O resultado é um espetáculo de rua delicioso, que interage o tempo todo com a platéia (o que fica muito interessante quando o grupo tem pela frente, ou melhor, ao seu redor, um povo tão caloroso e receptivo como o macapaense). 






  • Making-off do post - Publicado no blog Jornalismo Cultural em 23.8.14 como Fotos: Sesc Amazônia das Artes em Macapá. 


06/07/2019

Vídeo: Tutorial - Postando fotos retangulares 2


Segunda parte do tutorial, agora mostrando como você pode usar o site (ou aplicativo) Canva, gratuito, para não precisar cortar sua foto retangular para postar no Instagram. O tutorial mostra como você pode usar o Canva para inserir sua foto em um fundo (preto, branco ou com outras opções de cores), resultando numa imagem quadrada para postar no Instagram. 

 Postado no IGTV em 1.7.19.




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05/07/2019

Arquivo 2014: Macapá: Bancos do Formigueiro foram destruídos nesta terça (exclusivo!)



Exatamente às 16h45, uma equipe formada por dois funcionários da  Secretaria Municipal de Manutenção Urbanística (Semur) da Prefeitura Municipal de Macapá concluiu o serviço de que fora encarregada: a remoção dos bancos que ainda existiam no Largo dos Inocentes, popularmente conhecido como Formigueiro, um local histórico na área central de Macapá. A foto acima retrata como o local ficou após a saída da equipe.

Afora eu, não havia mais nenhum profissional de imprensa no local, de modo que podemos afirmar sem erro que esta publicação se trata de um material exclusivo do blog Jornalismo Cultural. 

Fui alertado do fato via Facebook: perto de 16h, um amigo meu compartilhou um aviso de que os bancos do Formigueiro estavam sendo destruídos naquele exato momento. Em seguida, me dirigi para lá, encontrando os dois funcionários da Semur. Perguntei a eles se sabiam o que se pretende fazer no local e eles me responderam que só tinham orientação para remover os bancos, sem maiores detalhes.

O Formigueiro, junto com a orla do rio Amazonas, se constitui num dos lugares mais antigos de ocupação de Macapá. O nome popular Formigueiro vem das casas que havia no local até os anos 40, todas muito juntas, lembrando um formigueiro. Mas por volta de 1947, a população do local, na maioria constituída de afro-descendentes, foi removida para outros bairros, a exemplo do que já acontecera com os moradores da orla em 1943, quando da instalação do Território Federal do Amapá (removidos da orla, os negros macapaenses fundaram os bairros da Favela, hoje Santa Rita, e do Laguinho).

Atualmente, o Formigueiro tem servido como ponto de encontro da população jovem, da capital, em especial à noite. Um dos pontos preferidos de reunião era justamente onde haviam os bancos destruídos hoje. Há poucas residências no entorno do Largo (que fica atrás da Igreja de São José, antiga catedral, e ocupa o trecho da Mendonça Furtado entre São José e Tiradentes), as principais edificações em redor são um shopping center, alguns comércios, a igreja citada e uma secretaria estadual. A maioria dos quais nem funciona à noite. De toda maneira, não estamos mais em 1947 e o bom senso, ao menos, recomenda que antes de se fazer uma intervenção dessa natureza num espaço público e histórico se proceda antes a uma ampla consulta pública.

Este era o aspecto do Formigueiro à hora que eu cheguei, aproximadamente 16h15 (o que indica que a equipe já estava trabalhando há algum tempo):



A equipe seguiu trabalhando tranquilamente, mesmo após a minha chegada e vendo que tanto eu quanto alguns transeuntes tiravam fotos:




Perto dali, policiais exerciam uma vigilância discreta e que não chegou a interferir de modo algum no período em que permaneci no largo.



Foi aí que, quando um dos funcionários marretava um dos bancos, se aproximou um grupo de estudantes.



Uma delas, chamada Flávia, ficou chocada com o que viu e, indignada, perguntou aos funcionários por que eles faziam aquilo.



Eles explicaram e Flávia resolveu sentar em um dos bancos, enquanto continuava conversando com os dois para tentar entender o sentido de tudo o que acontecia ali.





De todos os presentes no Formigueiro naquele horário, Flávia foi a única que tomou uma atitude de questionamento de toda aquela situação. 




Por fim, vendo que os funcionários seguiam sem alterações as ordens recebidas, Flávia acabou se levantando do banco onde estava. 


Perto das 16h45, os funcionários deram o trabalho por concluído...


... dirigindo-se para a viatura da Semur e deixando o local...




... assim.



  • Desde as 17h30, quando comecei este post e divulguei sua foto de abertura no Facebook, algumas pessoas têm dito que haveria assaltos e outras violações da lei no Formigueiro. Embora eu não tenha presenciado nem assaltos nem outras situações relatadas, penso que violações da lei se resolvem ou mesmo se previnem com policiamento, não vejo como a remoção dos bancos possa influir nisso. 


  • Atualização 6/8, 14h32: ontem, quando a equipe saiu, o banco amarelo onde Flávia se sentara havia permanecido intacto. Hoje, perto de 11h, o referido banco já fôra transferido para o lado de outro idêntico, poucos metros adiante, para o lado da rua Tiradentes. O banco transferido foi fixado no chão de um modo que não consegui identificar (é o da esquerda na foto ao lado; já o da direita, que sempre esteve ali desde que conheço o largo, está cimentado no chão). 

Afora eu, não havia naquele momento ninguém no largo, então se o objetivo da remoção dos bancos era afastar a população de um espaço público, ele foi plenamente atingido. 






  • Atualização 8/8, 15h50: Perto de 13h, estive no largo, constatando que até os bancos amarelos já foram retirados. No lugar destes e dos outros bancos já retirados na terça, apenas círculos de cimento.




A presença de intervenções feitas sobre o cimento ainda fresco indicam que aconteceu hoje mesmo este último ato no sentido de apagar qualquer vestígio de que um dia o largo teve bancos. Ao nome da já citada Flávia, soma-se o de Kelvin como um dos resistentes à descaracterização do local sem consulta alguma à população. 




  • Making-off do post - Publicado no blog Jornalismo Cultural em 5.8.14, com atualizações nos dias seguintes. 


Vídeo: Tutorial - Postando fotos retangulares 1

Postado no IGTV em 26.6.19.




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04/07/2019

Arquivo 2014: Dias de poesia em Belém

  • Quinta, 13/3: Uma tarde com Pedro Jr.

A tarde desta quinta foi "loca de especial", para usar um dito popular gaúcho. Recebi em Belém meu amigo Pedro Júnior da Fontoura, poeta e declamador, que estava a caminho de Macapá, onde participou, na noite mesmo de quinta, do evento Virada Poética, que antecipava a comemoração do Dia Nacional da Poesia, que é hoje. O evento, além de reunir grupos de poetas do Amapá, contou com as presenças de Pedro e do roraimense Eliakin Rufino. 

A amizade com Pedro é das mais longas que conservo - estudamos juntos na Escola Estadual Padre Landell de Moura, em Bento Gonçalves (RS), na segunda metade dos anos 1980. Ele já então envolvido com a tradição gaúcha, se apresentando e sendo premiado em festivais e rodeios. Eu, escrevendo o jornal da sala de aula. Depois fui morar em Porto Alegre e perdemos contato direto, eu sabia mais a respeito dele através de minha mãe, que falava do trabalho de Pedro à frente da Biblioteca Pública Castro Alves (que eu frequentava quando criança) e também da Feira do Livro de Bento Gonçalves (da qual participei das primeiras edições, ainda nos anos 80). Fomos nos reencontrar apenas em dezembro de 2012, em Macapá, quando ambos participamos da programação do Festival Quebramar - ele recitando poemas gaúchos acompanhado por um grupo de marabaixo, eu ministrando meu Workshop de Jornalismo Cultural. 

O vôo de Pedro para Belém, vindo de Porto Alegre, com escala em Curitiba (o que dá mais de sete horas direto a bordo da mesma aeronave, viagem bem puxada), atrasou pra sair de São Paulo, o que fez com que ele chegasse na capital paraense perto das 15h, uma hora depois do previsto. Como sua ida para Macapá seria apenas às 19h, calculamos que daria pra mostrar pra ele um pouco do Centro de Belém. 

Viemos pro Centro, almoçamos e mostrei a ele alguns dos principais pontos turísticos, como a Praça da República, o Theatro da Paz, o Bar do Parque, o Cinema Olympia e o Teatro Experimental Waldemar Henrique (enquanto me dava conta de que, apesar de existirem Paratur e Belemtur, desconheço a existência de postos de informação turística em Belém!). Foi aí que decidi convidar Pedro para conhecer uma lancheria na galeria da Assembleia Paraense que mistura diferentes frutas em seus sucos, obtendo sabores inusitados. Tomamos um de tangerina, taperebá e maracujá, e depois um de graviola com ameixa. E, para felicidade nossa, enquanto estávamos ali, entrou no local o violonista Salomão Habib com três indígenas da etnia Kayapó. 

Apresentei Pedro a Salomão, e eles logo se enturmaram. Pedro contou que quem toca violão habitualmente em seus CDs é o argentino Lúcio Yanel. "O professor do Yamandu (Costa)!", festejou Salomão. Em homenagem aos indígenas presentes, Pedro declamou um trecho de poema do escritor Alcy Cheuiche, sobre os Sete Povos das Missões, e logo o papo versou sobre o líder dos Guarani, Sepé Tiaraju. O rápido encontro encerrou com uma breve visita ao Teatro Waldemar Henrique, do qual Salomão é diretor, a troca de livos e CDs, e o convite para que Pedro se apresente em Belém neste sábado (sim, amanhã, dia 15). Se for confirmado, iremos noticiar. Dali já pegamos um táxi para o aeroporto, para que Pedro chegasse a tempo de pegar o voo para Macapá.

  • Sexta, 14/3: Dia Nacional da Poesia


Comecei minha sexta lançando, através do blog da Poeta Amadio, o primeiro CD desta artista cujo trabalho eu produzo, intitulado Bem que Podia. O disco reúne poemas dela e de seus mestres Binho e Eliakin Rufino; inclui também três poemas musicados. Você pode ouvi-lo clicando aqui. A repercussão tem sido a melhor possível, principalmente através do Facebook, já que a divulgação junto à imprensa começa mesmo na semana que vem. 

Já no fim da tarde, acompanhei no SESC Boulevard a 2ª Festa Paraense da Poesia, uma parceria entre entre o selo Versivox e a Nós Outros Companhia Teatral. O evento iniciou com uma homenagem da Nós Outros aos 450 anos de nascimento do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare. Seguiu-se a chamada "Rota Intercâmbio", um bate-papo do ator Hudson Andrade com a poeta Rita Melém, que contou um pouco de sua trajetória e leu alguns de seus poemas, todos invariavelmente bem curtos. Ela chegou a comentar que notava que, ao final de cada poema, o público ficava esperando alguma continuação... Algumas pessoas da plateia também participaram, entre elas a sobrinha de Rita, Thaís Frazão. Outra participação muito especial durante a conversa com Rita foi dos rappers do grupo Arsenal de Rimas, que chegaram a improvisar a partir de um poema de Rita lido por Hudson. 

O final da Festa foi dedicado à comemoração dos 145 anos da publicação do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves (o responsável, em última instância, por hoje ser o Dia Nacional da Poesia, já que ele nasceu em 14 de março de 1847). O escritor Carlos Correia Santos comandou este momento, intitulado "O Samba Veio no Navio Negreiro", no qual intercalou músicas que compôs falando das questões sociais e raciais - do preconceito, enfim - que o negro enfrenta ainda hoje na sociedade brasileira, passados 126 anos da Abolição. As músicas foram interpretadas pelo próprio Carlos (que recentemente foi aluno de uma oficina de canto ministrada por Dayse Addario), acompanhado pelo violonista Renato Rosas (sempre uma opção de qualidade) e pela backing vocal Ani Barbosa (irmã de Carlos). A canção que dá título ao espetáculo tem mensagem muito contundente e pinta de futuro clássico da nossa música. Entre uma canção e outra, Carlos declamou trechos de "O Navio Negreiro". Fosse só isso, já estava ótimo, mas houve mais: a apresentação das canções e do poema era alternada com a encenação de uma cena teatral escrita e dirigida por Hudson Andrade, com os atores Alexandre da Silva e Karina Lima, narrando o drama de um escritor negro, que às vésperas de lançar seu primeiro livro (e sonhar, em função disso, com o reconhecimento e a saída da miséria), é confundido com um ladrão e morto. 


Ani Barbosa, Carlos Correia Santos e Renato Rosas


(Parêntese: assim como posso me orgulhar de uma amizade de longa data com Pedro Jr., posso quase dizer o mesmo em relação a Carlos Correia Santos. Ele é meu amigo de Belém mais antigo, pois nos conhecemos em agosto de 2005, quando vim pela primeira vez ao Pará para ministrar o módulo de Jornalismo Cultural do MBA de Gerência em Jornalismo da FGV. Depois, em 2009, tive a honra de, por alguns meses, ser seu assessor de imprensa.)

Terminado o evento, ainda consegui ver o finalzinho do show de Camila Honda em homenagem a Nara Leão, que acontecia também no SESC no mesmo horário. Vi Camila cantar "A Banda", de Chico Buarque, com a participação especial de Arthur Espíndola. 

Quando saímos todos do SESC, chuviscava. Vi uma garota falar com uns amigos para seguirem para seu destino mesmo assim, alegando: "Ninguém é de tapioca. Bora lá!"

  • Making-off do post - Publicado originalmente no blog Jornalismo Cultural em 14.3.14.

  • Editado em 28.10.21 para corrigir o termo equivocado "índios" pelo correto, "indígenas". 

Vídeo: Vida de Fotógrafo 2

Vídeo gravado para o IGTV em Belém (PA), em 29.6.19, no qual conto como escapei de levar um calote ;)




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