30/11/2016

Vídeo: Banzeiro do Brilho-de-Fogo - Roda de Marabaixo


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Para encerrar o Mês da Consciência Negra, vamos assistir hoje este vídeo que gravei ao final do primeiro cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo pelas ruas de Macapá em 14 de dezembro de 2014. O vídeo, postado no YouTube dois dias depois, reúne três importantes nomes do Marabaixo.

Em palco armado na Praça Floriano Peixoto, vemos primeiramente Adelson Preto, do Curiaú, cantando "Vem pra Cá, Ioiô". Na sequência, Laura do Marabaixo, do Laguinho, interpreta "É de manhã, é de madrugada" (música que ouvimos com a avó de Laura, Tia Biló, neste curta). E pra encerrar, Jacundá, do distrito de Campina Grande, canta o clássico "Rosa Branca Açucena". Os três acompanhados pelas dezenas de tocadores de caixa de Marabaixo do Banzeiro, que estavam à frente do palco, regidos por Paulo Bastos. 

O Banzeiro do Brilho-de-Fogo é um projeto de valorização do Marabaixo, com atividades como oficinas de confecção de instrumentos e de percussão, seguidos da realização de cortejos em datas festivas da capital do Amapá, e participo duas vezes do Encontro dos Tambores, em 2014 e 2015. 


28/11/2016

O atraso na reforma do Museu Joaquim Caetano

Em dezembro de 2015, recebi em Macapá uma amiga de Salvador que incluiu em seu roteiro de lugares a conhecer o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva. Falei pra ela que o museu merecia sim sua visita, porém se encontrava fechado desde dezembro do ano anterior. Pois bem, eis que outro dezembro se avizinha...e o museu continua fechado!

Embora eu passe frequentemente pelas imediações (o museu fica na Rua Mário Cruz, quase ao lado da Praça do Coco). só hoje fui ver esta placa com informações sobre sua reforma. O fato é que, estranhamente, a placa não está junto à entrada principal do museu, como comumente se faz, e sim na parede lateral, à Rua Binga Uchoa (antiga Independência).

Eis a placa, prometendo o final da obra para 17 de junho de 2016. Em reportagem de Fabiana Figueiredo publicada pelo G1 Amapá em maio, a Secretaria de Cultura do Amapá estimava a retomada da visitação para julho. 




Aqui uma visão mais abrangente da parede da Binga Uchoa, onde está a placa:




Aqui a entrada principal do museu, à Mário Cruz. Todas as fotos deste post foram feitas hoje pela manhã. 




O museu é um dos poucos prédios do século 18 preservados na capital do Amapá - os outros são a Igreja de São José, antiga catedral, de 1761, e a Fortaleza São José de Macapá, de 1782. A casa onde hoje está o museu já abrigou também a intendência (antiga prefeitura) de Macapá. Desde 1993, funciona nela o museu, cujo nome homenageia o médico e diplomata gaúcho Joaquim Caetano da Silva, cuja obra L’Oyapoc et L’Amazone, de 1861, foi utilizada pelo Barão do Rio Branco como argumento na questão territorial com a França.

Querendo incorporar parte do Amapá à Guiana Francesa, a França chegou a invadir o território brasileiro em 1895, avançando até o rio Araguari. O caso foi à arbitragem internacional na Suíça em 1900, ocasião em que Rio Branco apresentou trecho da obra de Joaquim Caetano comprovando que o limite histórico entre Brasil e Guiana Francesa sempre fôra o rio Oiapoque, e não o Araguari; o tribunal deu ganho de causa ao Brasil. 

O acervo do Museu Joaquim Caetano vai além do "histórico" presente em seu nome, abrangendo também os campos antropológico e arqueológico. Eu o considero um dos melhores museus que conheço no Brasil, e lamento profundamente que tudo isso esteja há tanto tempo longe das vistas dos moradores do Amapá e daqueles que nos visitam. 


  • Atualização 24.3.23: de acordo com reportagem de Weverton Façanha publicada em 1.3.23 no Portal Governo do Amapá, "O espaço foi revitalizado pelo Governo do Estado em 2022, com intervenções em sua estrutura, preservando as características originais." Leia o texto completo. 

A Semana nº 21


  • No domingo, 27, recebi e-mail do site ModelBlissNet informando que o perfil que mantenho lá foi escolhido como um dos destaques da semana (!). Algumas das fotos já foram publicadas aqui, de todo modo vai aqui o link pra quem quiser dar um confere.







26/11/2016

Instagrei

Enfim ontem estreei no Instagram. Pra quem quiser me seguir, meu perfil é @fabiogomes.fotocinema. A foto que ilustra este post é a primeira que publiquei por lá, uma versão da estátua a Castro Alves que já vimos por aqui. A principal mudança é o corte na imagem, que de panorâmica passou a ser quadrada; tentei postar no formato original mas sempre dava erro. 

Há quase três meses, cheguei a comentar aqui no artigo Vivendo, Fotografando e Aprendendo de como criei uma conta no Pinterest ano passado, depois de não conseguir entrar no Instagram, que para minha surpresa só aceitava inscrições via dispositivo móvel. 

Algo deve ter mudado, pois para entrar agora foi relativamente fácil, mesmo eu usando um notebook. Alguém que é meu amigo no Facebook me mandou um convite, eu aceitei na opção "Entrar com Facebook" e em minutos eu tinha uma conta que me permitia seguir perfis e ser seguido (nem menciono ver as fotos, pois para isso nem precisa ter conta). Mas, para nova surpresa, não havia como eu publicar nada. Resolvi isso instalando o InstaPic, um aplicativo que a Microsoft oferece grátis via Loja do Windows 10. O que demorou mais foi descobrir que havia esse recurso tão simples (risos); das duas horas que levei para finalizar tudo, cerca de hora e meia foram em busca de uma ferramenta que permitisse a postagem de fotos (sem o quê ter uma conta lá me parece algo beeem inútil né). 

Nessas quase 24 horas que estou usando o serviço, posso dizer que o Insta é bem simples e fácil de usar. Ele é um bom híbrido de site de compartilhamento de fotos e rede social. Não vi ainda se há limite de caracteres para as legendas, mas também não me deparei ainda por lá com nenhum textão como se vê às pencas no Facebook.

Enfim, o Instagram me parece uma mistura de Twitter (há uma timeline, os textos de cada foto são curtos, e você segue perfis e é seguido) com Pinterest (no perfil de cada um você vê as fotos e pra saber mais clica nelas). E ao mesmo tempo, vejo nele uma opção melhor que o próprio Pinterest ou o Flickr. Por aí já vemos como foi visionária a ideia de Kevin Systrom e Mike Krieger ao criar o Instagram em outubro de 2010, ideia que os deixou bilionários um ano e meio depois, quando o Facebook adquiriu o serviço. 

Quando o Instagram surgiu, predominava o acesso via internet discada, então a web era mais usada para textos mesmo. Vamos recordar como era o panorama de compartilhamento de fotos em redes sociais naquela época:

- Existia o Facebook, mas sua interface era bastante hermética e confusa; ele era pouco usado, ao menos no Brasil;

- Quem dominava o nosso mercado era o glorioso Orkut, que permitia a postagem de 12 (sim, DOZE!) fotos, para incluir uma nova você precisava excluir uma antiga;

- Para postar fotos no Twitter, você precisava usar um outro site, o Twitpic (quase no estilo da postagem via InstaPic que relatei acima); 

- Fora isso, havia o Flickr, mais usado por profissionais, e o Fotolog, um blog fotográfico muito popular entre adolescentes, que o usavam praticamente como um diário aberto. 

Dessa lista toda, só quem sobreviveu foram o Facebook, depois de uma grande reinvenção em 2011 (quando começou a adotar recursos populares em outras redes, como a timeline do Twitter e o chat do MSN) e o Flickr, que adotou a estratégia do Instagram de focar nos dispositivos móveis. 



25/11/2016

Portfólio em Destaque: Fabiana Figueiredo

Publicamos hoje o segundo Portfólio em Destaque, desta vez com a fotógrafa amapaense Fabiana Figueiredo, 21 anos. A seleção apresentada é bastante especial, pois sete das dez imagens que vocês vão ver aqui são inéditas!

A nosso pedido, Fabiana escreveu um texto de apresentação:

Tenho a fotografia como hobby há pelo menos 4 anos. Acredito que o melhor instrumento para um fotógrafo é a percepção, o olhar dele para a sua realidade. A maioria das fotografias que produzo são com o celular, que é o instrumento de trabalho que anda comigo sempre, que é só tirar do bolso, preparar a composição, esperar o melhor momento e “atirar”. 

Foi também através da fotografia que eu descobri uma paixão maior pelo audiovisual. Em 2014, produzi meu primeiro curta-metragem, chamado “Cores, Muros e Histórias”, com muitas experimentações. Em 2016, coloquei no ar meu segundo projeto audiovisual: o Boralí. Aliando meu amor pelo Amapá, vontade de conhecer cada lugar, querer mostrar para o mundo e meu engajamento com fotografia e vídeos, pensei em reunir tudo isso neste projeto, que propõe a divulgação de lugares para se conhecer no Amapá. Estou no fim do meu curso de Jornalismo e há 2 anos trabalho com webjornalismo em um portal de notícias. 

Para conhecer mais do trabalho de Fabiana, siga os links: 



Distrito de Mazagão Velho, em Mazagão - AP


Fortaleza São José de Macapá - Centro de Macapá - AP - inédita


Comunidade Ariri - Macapá - AP - inédita

Comunidade Ariri - Macapá - AP

 APA do Rio Curiaú - Macapá - AP - inédita


APA do Rio Curiaú - Macapá - AP - inédita


 Igreja São José - Centro de Macapá - AP

Balneário do Lós - Amapá - AP - inédita



As duas fotos também inéditas que encerram o post foram feitas no Parque Arqueológico do Solstício - Calçoene - AP. Sobre a última imagem, Fabiana comenta: Na foto aparece o "Seu Garrafinha", guarda-parque, e a pessoa que mais se preocupa com esse lugar, percebi isso pelo jeito que fala do lugar e pelo olhar dele. Ele quem descobriu o local. 

24/11/2016

Curta: Tia Zezé no Encontro dos Tambores


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Encerrando a postagem de curtas da série As Tias do Marabaixo aqui no blog, em homenagem ao Mês da Consciência Negra, é o momento de apresentarmos Tia Zezé no Encontro dos Tambores.

Lançado em 21 de abril de 2015, o curta é o único da série que tem som do inicio ao fim - os anteriores não tinham som na introdução e ao final (o que, aliás, é o padrão industrial do cinema). Como observei nas primeiras sessões dos curtas que as pessoas ficavam aguardando o som já na abertura (fruto, talvez, da nossa grande tradição radiofônica). resolvi fazer esta experiência ao editar o filme que encerra a série. Ao longo de todo o curta, se assiste um trecho do show do grupo Berço do Marabaixo apresentado no Encontro dos Tambores, em Macapá, em 23 de novembro de 2014, com Tia Zezé cantando seu ladrão de Marabaixo intitulado "Toar dos Tambores", filmado por mim com a Sony HD Blogger (outro trecho do mesmo show foi incluído no curta Natalina, postado aqui semana passada). Ao final, durante os créditos (com fotos feitas também no show citado), se ouve Tia Zezé cantando um trecho de seu clássico "O Remo". 

O curta já foi exibido em eventos e em escolas de Macapá, além de ter sido apresentado nos estados do Tocantins, Bahia e Rondônia durante a circulação do projeto em 2015. Trechos do filme foram incluídos em entrevista que concedi ao quadro "Vitrine" do programa Circuito da TV Cultura (Belém). A entrevista foi gravada em abril de 2016 e o programa foi exibido em junho. Tia Zezé... se tornou, desta forma, o único dos curtas já exibido parcialmente em TV aberta fora do Amapá. 


21/11/2016

Belezas Culturais: Largo do Pelourinho



Na tarde de 28 de julho de 2015, fotografei este grupo de samba-reggae fazendo uma rápida apresentação no Largo do Pelourinho, centro histórico de Salvador. 

Esses 'pocket shows' são frequentes no local; em geral após os músicos tocarem, eles mesmos ou alguém que com eles trabalha vende CDs e/ou pede contribuições aos espectadores. Mas como mostra a foto, nem todas as pessoas que estão por ali se mostram ao menos interessadas no som. Coisas da vida. 

Ao fundo, vê-se o Museu da Cidade (em rosa claro; ele se encontrava fechado na minha temporada baiana do ano passado) e ao lado a Casa de Jorge Amado (o prédio azul). 


A Semana nº 20

Na quarta, 16, voltei a publicar no LinkedIn, e como quase sempre fiz ilustrei o texto com uma foto de minha autoria. No caso, uma inédita do pôr-do-sol em Salvador em 20 de agosto do ano passado. A viagem onde esta foto foi feita - a tal dos 11.920 km pelo Brasil - também é mencionada no texto, cujo tema principal é um convite para você se dar conta que não vai durar pra sempre neste planeta e começar a fazer logo o que quer fazer mesmo. Confira lá o Não somos eternos!



20/11/2016

Ensaio de novembro: A beleza negra de Elmira Trindade

Sendo novembro o mês dedicado à Consciência Negra, decidi antecipar para hoje a postagem do Ensaio do Mês, que tradicionalmente vai ao ar no dia 23.

É a melhor ocasião para enfim dedicar um ensaio completo aqui no blog à lindíssima baiana Elmira Trindade, a primeira - e até agora única - pessoa que foi nossa Modelo da Semana em duas ocasiões, em 5 de julho e 4 de outubro.

As fotos foram feitas em Jequié, Bahia, em 13 de setembro do ano passado. A finalidade do ensaio: gerar fotos para a divulgação do meu curta Você é África, Você é Linda, do qual Elmira é uma das atrizes, ao lado de Selma de Oliveira, também a criadora dos turbantes que vemos neste ensaio. 










Este post completa, junto com os curtas d' As Tias do Marabaixo que vêm sendo postados às quartas, e com as fotos do monumento a Zumbi, em Salvador, a nossa série especial dedicados neste mês à Consciência Negra.




19/11/2016

Belezas Culturais: Homenagem a Zumbi dos Palmares

Amanhã, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra, considerado feriado em um de cada cinco municípios brasileiros (oxalá em breve se torne feriado nacional). A data lembra o assassinato, em 1695, do líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi.

Nascido livre em 1655, na Serra da Barriga, atualmente parte do estado de Alagoas, Zumbi foi escravizado aos 6 anos de idade, vendido a um missionário português, que o batizou e lhe deu o nome de Francisco. Em 1670, escapou ao cativeiro e foi para Palmares, onde se destacou logo por suas habilidades estratégicas e militares. Expedições portuguesas enviadas ao quilombo em 1673 e 1675 esbarraram no firme comando de Zumbi.

Em 1678, o governador da capitania de Pernambuco (em cujas terras ficava o quilombo), Pedro Almeida, ofereceu um acordo ao então líder do quilombo, Ganga Zumba: Almeida garantia a liberdade aos negros, mediante a submissão de Palmares a Portugal. Ganga Zumba se mostrou favorável, mas Zumbi se opôs fortemente, pois almejava a liberdade para todos os negros trazidos da África para o Brasil e seus descendentes aqui nascidos. Seguiu-se então um período de disputa interna em Palmares, com Zumbi vencendo e tornando-se o novo líder do quilombo. Sob sua liderança, Palmares, que em 1630 registrara 2 mil habitantes, chegou a ter uma população de 20 mil em 1678.

Os portugueses seguiram atacando o quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694, as forças comandadas pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho destruíram Palmares, após a firme resistência de Zumbi por 22 dias. O líder negro, mesmo ferido, conseguiu escapar e se manteve escondido, possivelmente na área da Serra Dois Irmãos, que hoje faz parte do município de Viçosa, Alagoas. Delatado por Antônio Soares, Zumbi foi cercado por 20 soldados e executado em 20 de novembro de 1695. Sua cabeça foi cortada, salgada e enviada ao Recife, onde o governador Melo de Castro a deixou exposta na Praça do Carmo, tanto para desmentir a suposta imortalidade de Zumbi (crença popular que se reafirmava a cada vez que as tropas portuguesas eram derrotadas ao tentar tomar Palmares) quanto para desencorajar novas rebeliões - isto era comum no período colonial, o mesmo acontecendo com Tiradentes, em 1792. O costume chegou até o século passado, com as cabeças dos cangaceiros do bando de Lampião, derrotado em 1938, também expostas em local público.  

Em 1995, 300 anos após a execução de Zumbi, o Movimento Negro Brasileiro adotou o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra, que a partir dali passou a ser decretado feriado em vários municípios e Estados brasileiros. 


As fotos do post são do monumento intitulado Homenagem a Zumbi dos Palmares, de autoria da artista Márcia Magno, e que se encontra na Praça da Sé, em Salvador, onde o fotografei em 20 de agosto de 2015. 

A estátua tem 2,20m de altura e é fundida em bronze, estando assentada sobre uma base de mármore negro. Cada face da base tem uma placa. A que se vê na foto que encerra o post assinala a inauguração do monumento em 30 de maio de 2008. Seguindo para a direita, há uma placa com a biografia de Zumbi; outra com a letra de "Zumbi, a Felicidade Guerreira", música de Gilberto Gil e Waly Salomão escrita para o filme Quilombo, de Cacá Diegues (1984) - nesse vídeo, você ouve a música e vê a abertura e cenas do filme, tudo legendado em inglês. A última placa descreve a escultura, destacando que Zumbi porta "uma lança de caça e um gládio, cópia fiel do 'Mukwale', peça preciosa, utilizada por grandes guerreiros cuja decoração do cabo representa o chefe tradicional em pé e atento a qualquer circunstância".

Em 2011, réplica da obra foi doada por Márcia Magno ao Museu Afro Brasil, de São Paulo.

  • Leia no blog da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas entrevista de Márcia Magno à Folha da Bahia em 2008, comentando a concepção e execução do monumento. 
  • Márcia Magno também é autora do busto de Dorival Caymmi cuja foto já publiquei aqui no blog, neste post.