07/11/2016

A Semana nº 19



No sábado, 5, fui agraciado com o Diploma de Destaque Cultural, concedido pelo Conselho Estadual de Cultura do Amapá, em nome do governo do Estado. 

A entrega aconteceu na Praça Veiga Cabral, em Macapá, em evento realizado pelo Conselho juntamente com a Associação Literária do Estado do Amapá e os grupos poéticos Poesia na Boca da Noite e Pena & Pergaminho.

Foi em encontros do Pena & Pergaminho que exibi pela primeira vez os curtas da série As Tias do Marabaixo, em 2015.


05/11/2016

O silêncio de depois

Lembram do limão que vimos aqui no sábado passado no post Verde sobre Vermelho? 




Hoje vemos o que restou dele após temperar o peixe que almocei em Belém em 3 de abril. 

  • "O silêncio de depois" é parte de um verso de Vinicius de Moraes na canção "Minha Namorada", parceria com Carlos Lyra - Seus braços o meu ninho no silêncio de depois....


04/11/2016

Belezas Naturais: Lago de Palmas



Em foto que fiz em 19 de julho de 2015, o Sol faz arte abstrata na água do Lago de Palmas, junto à Praia da Graciosa. 



03/11/2016

A fotografia irá se acabar?

Na quinta, 27 de outubro, o fotógrafo Sebastião Salgado, ao receber no Rio de Janeiro o Prêmio Personalidade França-Brasil, foi enfático ao prever o fim da nossa profissão: 

- A fotografia está acabando porque o que você vê no Instagram ou no telefone não é fotografia. Fotografia é um objeto materializado que você imprime, você tem, você olha. 

No trecho acima, reproduzi a fala de Salgado neste vídeo postado pela EFE Brasil no YouTube, e que aparece reproduzido, com algumas adaptações, na reportagem de Carlos A. Moreno para o site Terra, ambos postados no dia 28. Tantos estes conteúdos como a matéria creditada à AFP e publicada no mesmo dia pela Ilustrada/Folha de S. Paulo trazem no título a palavra "extinção", que Salgado não chegou a usar, mas que é coerente, sim, com suas previsões. Vamos a outro trecho da sua fala, reproduzido pelo Terra:

- A fotografia é o que os seus pais fizeram quando você era criança: revelaram um filme que fizeram de você na esquina; fizeram um álbum e guardaram essas fotos. A fotografia é algo intrínseco, que você toca. Hoje, o que existe é imagem. A imagem não é fotografia. Mudamos o conceito dela. Passamos para outra coisa. E estamos em processo de eliminação da fotografia. Não acredito que a fotografia vá viver mais do que 20 ou 30 anos. Vamos passar para outra coisa. Fotografia era uma memória, uma referência. Hoje, a imagem é uma linguagem. Instagram é outra coisa. O que eu faço não é isso. O que eu faço é fotografia. Isso é imagem, o que é outro conceito. 

A meu ver, estas declarações de Sebastião Salgado vão pelo mesmo caminho daqueles que proclamam a superioridade sonora dos discos de vinil sobre os CDs e arquivos MP3 ou dos que questionam se um e-book é um livro (basta ver o texto assinado por Joseba Elola publicado no dia 9 de outubro no site da edição brasileira do jornal espanhol El Pais e cujo título é uma ode ao livro impresso: Quero ler em papel). É a confusão entre suporte e produto - a foto não é sua impressão, a música não é o LP, um livro não é sua versão impressa-e-encadernada.

No cinema, o processo já há bastante tempo é todo digital, até que chega a hora de passar o filme pronto para película a fim de exibir no circuito comercial - como já se fazia em 1891! Lembro até que, num debate sobre restauração de filmes antigos, vi alguém reclamar que o que se faz comumente é passar o filme da película para um suporte digital e a partir daí se trabalhar apenas com o filme já digitalizado, deixando de lado a película. Mas o que é mais importante, a criação artística, ou o suporte na qual ela esteja eventualmente?

  • (Um parêntese: ao contrário do que a fala de Sebastião Salgado dá a entender, a fotografia não nasce tendo como desdobramento obrigatório a impressão em papel. A primeira fotografia produzida pelo francês Joseph Niépce, em 1826, foi fixada numa placa de estanho. Treze anos depois, o britânico William Talbot passou a usar papel para as funções hoje desempenhadas pelo negativo, ou seja, captar a imagem, e pelo papel fotográfico, onde essa imagem é reproduzida. Já em 1851, o inglês Frederick Archer cria o negativo de chapa de vidro, facilitando a impressão em papel. Vinte anos depois, o físico Richard Maddox, também inglês, inventou o negativo com emulsão que passou a ser o padrão da indústria, popularizado a partir de 1886 pelo americano George Eastman através da Kodak. Ao longo desses 60 anos, portanto, a impressão em papel convivia com a fixação em outros suportes, como chapas de vidro e de metal.)


02/11/2016

Curta: Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014


Clique na imagem


Novembro é o mês dedicado à Consciência Negra. O tema estará presente ao longo do mês aqui no blog com a publicação dos meus curtas da série As Tias do Marabaixo, às quartas, e também com o Ensaio de Novembro. 

Apenas um dos curtas já foi divulgado aqui, em 26 de junho: o que homenageia Tia Chiquinha. Foi o segunda curta da série. O primeiro a ser lançado foi o que publicamos hoje, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014. 

Este curta foi disponibilizado no YouTube e no blog As Tias do Marabaixo em 26 de fevereiro de 2015, data em que a homenageada completou 99 anos. O material foi filmado por mim em 20 de novembro de 2014, na abertura do Encontro dos Tambores daquele ano, no Centro de Cultura Negra de Macapá. Tia Zefa se apresentou com o Grupo de Batuque Filhos do Criaú. Ao lado, o cartaz que elaborei na data para assinalar o lançamento. 

O curta já foi exibido publicamente diversas vezes em Macapá, e ainda fez parte da circulação do projeto que realizei em 2015 nos estados do Tocantins, Bahia e Rondônia. Trechos do curta foram exibidos em reportagem sobre o projeto apresentada no programa Amazônia Revista da TV Amapá em 14 de junho de 2015. 

31/10/2016

Belezas Culturais: Kassya Karoline



Kassya Karoline é uma revelação da noite de Macapá. A jovem cantora semanalmente solta sua voz não nas estradas (ainda!) mas sim nos bares da capital do Amapá, interpretando clássicos da MPB e do pop rock.

A foto acima foi feita durante sua apresentação com o violonista Thiago Dantas no República Bar Vintage em 2 de agosto de 2014. Antes, na mesma noite, Kassya e Thiago já haviam tocado no Vila Nova Shopping (foto menor). 


29/10/2016

Verde sobre Vermelho


Fiz essa foto no almoço do dia 3 de abril último, em Belém. Foi um registro feito com o celular, para aproveitar o jogo de cores e sombras, rapidamente, antes que o limão cumprisse o seu destino: temperar o peixe que eu comi em seguida. 

28/10/2016

Belezas Naturais: Mangueira-Coração



Descobri essa mangueira cujos galhos retorcidos parecem formar um coração na sexta passada, quando caminhava pelo bairro do Trem, em Macapá. 

De imediato fiz uma foto com meu celular e a postei em meu Facebook pessoal, com a legenda Macapá é amor.

Mas convenhamos, tão bela obra da Natureza merecia uma foto mais qualificada, de modo que no sábado, 22, retornei ao local com a Nikon L330 para fazer a imagem que vemos no post. 


27/10/2016

Suitando em dobro

Intitulei o textão de hoje como "Suitando em dobro" por dois motivos:

1º Nele, repercuto os dois textos publicados nas quintas anteriores  -  A permanência da foto em papel, do dia 11, e Especialista em generalidades, do dia 18. 

2º Emprego o termo 'suitando' pensando em dois significados seus. Em jornalismo, suitar quer dizer "repercutir, dar sequência a um assunto (já publicado)". Quantas vezes já não aconteceu de você saber que um artista que você é fã foi hospitalizado e ficar dias a fio atrás de informações sobre os boletins médicos? Pois é, a divulgação dos boletins suitava o tema da internação. E em música, "suíte" é uma composição que reúne uma sucessão de peças curtas interligadas. (Sugestão para ouvir enquanto lê este post: "Suíte Argentina", de Toquinho). 

***

A permanência das fotos digitais

Eu já pensava em voltar ao tema, agora sob o prisma do digital, antes mesmo de ler, nesta semana, o texto "O que vai ser das minhas fotos?", que Ana Elisa Ribeiro publicou no Digestivo Cultural em 29 de julho, falando tanto de fotos arquivadas em meios digitais quanto impressas em papel - até por ter ganho recentemente uma câmera de filme, o que a levou a telefonar para uma loja, à procura de "álbuns cartona" (no caso, Cartona é o nome de uma empresa que fabrica aquele modelo de álbum autocolante; o álbum que mencionei em meu texto é da marca Kassuga, e em pouco mais de três décadas, como vimos, ele simplesmente arruinou com minhas mais antigas lembranças :/ ). 

Não conservei nenhum negativo do período em que usava câmeras analógicas (parei de usar filme ali por 2002). As fotos mais antigas que tenho posteriores a esta data estão hoje em HDs externos, para onde transferi fotos, documentos e todo tipo de arquivo possível que já tive trafegando entre disquetes, CDs, DVDs, HDs e pen drives. Alguns sites estimam que um CD-RW dure pelo menos 20 anos. Já o tempo máximo de conservação pode variar de 30 a 100 anos (teoricamente quanto mais se regravar uma mídia, menor é a possibilidade que ela dure). Na realidade, em breve é que começaremos a poder aferir isto, já que o CD-RW foi lançado comercialmente em 1997, completando portanto suas primeiras duas décadas no ano que vem. 

Num dos meus HDs externos, tenho imagens que foram sendo digitalizadas de 2002 em diante (ou seja, a partir do lançamento do meu primeiro site, o Brasileirinho). Uma das mais antigas é esta aqui, com data de 13 de dezembro de 2002, reproduzindo a capa da edição dos 90 anos de Os Sertões, de Euclides da Cunha, com o retrato do autor feito por Cândido Portinari. 

Então, superlegal você constatar que dá pra acessar numa boa imagens de 14 anos que foram sendo passadas pelos diversos formatos de armazenamento digital que foram surgindo. Mas nada legal é o fato de eu ter também dois relatos de perdas digitais! Sim! :'(

O caso mais recente foi devido a um incidente ocorrido no dia em que peguei o ônibus de Belém para São Luís, em 18 de maio deste ano. No início da tarde, eu fotografara o começo da ocupação da sede regional do IPHAN no Pará pela comunidade artística, em protesto contra o fechamento do Ministério da Cultura, uma das primeiras medidas adotadas pelo então presidente provisório Michel Temer. Como este blog ainda não existia, as fotos foram publicadas no blog Jornalismo Cultural.

Pois bem, acabei derramando café no notebook, pouco depois de transferir para ele as fotos e publicar o post! Só não fui de imediato numa assistência técnica porque faltava cerca de uma hora para eu pegar o ônibus para o Maranhão. Como o note aparentemente estava funcionando bem, e também porque não havia outra alternativa, o guardei e segui viagem. O note só veio a apresentar problemas quando já me encontrava há uns dois ou três dias no Maranhão - qualquer página aberta ficava se recarregando infinitamente. Diante disso, resolvi fazer um backup no HD de tudo o que fosse importante (o que geralmente é, mesmo, tudo - risos) e levei o aparelho para uma assistência. Porém ao procurar no HD algumas outras fotos feitas em Belém, simplesmente não as encontrei. O técnico maranhense a quem relatei o fato acredita que eu tenha perdido as imagens ou na hora em que o café atingiu o equipamento, ou durante o período em que o aparelho ficou fechado, durante a viagem. Ou seja, no caso não foi uma perda no HD, as imagens sumiram no notebook mesmo. 

Se no caso citado houve um motivo claro para a perda dos arquivos, o que dizer quando você constata que um trabalho seu sumiu assim, do nada? Ano passado, na temporada que passei na Bahia, aproveitei algumas noites sem conexão com a internet em setembro para editar uma série de vídeos da Poeta Amadio. Quando fui mostrar a ela o resultado, em Porto Velho, já em novembro, o ma-te-ri-al-sim-ples-men-te-su-mi-ra-do-meu-HD. Como assim, cara????
D:

***

Sites que conectam fotógrafos a modelos

Depois de ter minha inscrição rejeitada em um site de Chipre apenas por não ter site, mencionei o fato no fórum Mundo Fotográfico (recomendo!) e os colegas me recomendaram duas páginas onde me inscrevi e sugiro que você faça o mesmo:

- Agenda do Produtor - um site nacional, que abrange toda a cadeia da produção cultural e de eventos. Bem fácil de usar e, claro, todo em português ;D

- Model Mayhem - portal norte-americano que reúne quase um milhão de profissionais entre fotógrafos, modelos, cabeleireiros, maquiadores etc. etc. etc. É gente do mundo todo, inclusive muitos brasileiros.

De quebra, fiquei surpreso ao receber um e-mail no domingo, 23, me convidando a fazer meu perfil no site ModelBlissNet, também americano. Atendi o convite e vi que nesse há pouquíssima gente do Brasil - sou o segundo representante do país por lá, sendo aliás o primeiro fotógrafo verde-amarelo por aquelas bandas. Tremenda responsa!

Atualização 14.2.17 -  A Agenda do Produtor é um site onde você encontra muita gente, o que é ótimo, mas onde segundo vi há vários perfis 'abandonados', tipo a modelo se inscreveu em 2014 e nunca mais voltou. Outra séria questão, que me fez sair do site, é que para você se candidatar a qualquer vaga/seleção que veja por lá, precisa ter um perfil pago - o que simplesmente não é informado quando você se cadastra para um perfil gratuito! Com este, você vai apenas saber que poderia participar de determinada seleção....se pagasse pro site. Acabei cancelando meu registro lá. Agora em fevereiro, saí também do ModelBlissNet, nesses quase cinco meses que fiquei com perfil ativo lá não registrei interação alguma, o que tornava então sem sentido minha permanência. Já o Model Mayhem é um site bem mais dinâmico, a única questão para nós, brasileiros, é que, como podemos dizer, por aqui o site "não pegou", a imensa maioria das interações que tenho por lá são de modelos estrangeiras. 

24/10/2016

Belezas Culturais: O mural de Gilberto Gil que já não há

No ensaio com a modelo Suelen Leão publicado ontem, destaquei que o cenário que aproveitamos, uma arte mural de Carla Antunes, foi pouco tempo depois apagado do local, sem explicação nem aviso. Engana-se porém quem pensa que isso acontece apenas porque em Macapá estamos 'longe demais das capitais'. O post de hoje comprova isto.

Em setembro de 2013 fotografei na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, este mural em homenagem ao cantor e compositor baiano Gilberto Gil. 





O mural é uma obra da dupla italiana de artistas Orticanoodles e foi inaugurado em maio de 2012, durante as comemorações do ano da Itália no Brasil. Há cinco meses, porém, igualmente sem explicação nem aviso, a obra foi coberta por uma tinta cinza. 

Abaixo, reproduzo publicação do Instagram de Flora Gil, esposa do homenageado, lamentando a destruição da obra:




É triste pensar que em nossa sociedade nem uma homenagem a um ex-ministro da Cultura escapa de ser apagada sem mais nem menos. Por isso eu procuro sempre que possível registrar tudo o que possa ser interessante, sabe-se lá se o que vemos hoje ainda estará lá no dia seguinte!